segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Intocáveis

clip_image001 ASSUNTO
Amizade, superação, inclusão social, relação terapêutica, relações afetivas, familiares e sociais.
SINOPSE
Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas no seu estado. Aos poucos ele aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais a Driss por ele não tratá-lo como um pobre coitado. Aos poucos a amizade entre eles se estabelece, com cada um conhecendo melhor o mundo do outro.
TRAILER
O OLHAR DA PSICOLOGIA
O filme é de-li-ci-o-so! Fiquei refletindo sobre o início do filme e a tal da “primeira impressão”. Será mesmo boa essa coisa de “a primeira impressão é a que fica”? Pois é, definitivamente, não!
 Em Gestalt-terapia, nós estamos muito atentos ao contexto do cliente. Quando falamos em “contexto” e em “aqui-e-agora”, poucos são capazes de compreender tais conceitos. A cena inicial do filme apresenta dois personagens que sem contexto nos parecem irresponsáveis, dando a impressão de que assistiremos um filme de ação, tipo dupla de anti-heróis que irão aprontar muito.
Um deles é tetraplégico e o outro um jovem claramente habituado com as malandragens das ruas, nos favorecendo a ideia de que um é o cérebro e o outro a ação de muitas aventuras eletrizantes que estão por vir.. Ledo engano. O contexto é muito mais do que parece num primeiro olhar. De fato, falamos de um aristocrata tetraplégico e um ex-presidiário, mas o contexto nos oferece muito mais.
Quando falamos em aqui-e-agora em Gestalt-terapia, diferente do que muitos pensam, não desprezamos o passado do cliente, pois o que ele é agora é também produto de sua história. Além de mais, todo passado que estiver bloqueando seu desenvolvimento estará se revelando nas relações, aqui e agora. Portanto, quando falamos em contexto, nos referimos também ao contexto que se revela na relação cliente/terapeuta. Aquilo que percebemos em um primeiro momento é apenas parte do todo que está se desdobrando no aqui e agora. Assim ocorre com o filme. O primeiro contato dos personagens se dá num processo de seleção para um funcionário que irá ser cuidador do Phillipe. Entre tantos candidatos há Driss, o menos qualificado e pouco interessado na vaga. Sua autenticidade chama a atenção de Phillipe, que faz sua proposta. Aí, como também acontece na relação terapêutica, é o início de um processo que irá se desdobrar diante dos nossos olhos. O aristocrata não queria saber do passado dele da forma que os outros se interessam, o que mais o chamava atenção era a sua forma pouco polida e deveras verdadeira. Assim, Philipe não se importa com toda história da vida de Driss (relatada pelos outros), incluindo a informação de já ter sido preso, ele prefere abrir espaço para que a relação entre ambos possa contestar ou comprovar sua primeira hipótese (intuiu que seria o cuidador ideal). Assim sendo, como na relação terapêutica, o desdobramento da relação sem pré-conceitos e “prontos saberes” oferece a possibilidade da experiência se tornar oportunidade de novas des-cobertas. O encontro desses personagens nos brinda com uma forma de contatar o outro verdadeiramente, as diferenças não são obstáculos, mas sim condição para que a verdade de cada um tenha espaço para existir. O relacionamento de ambos é uma lição de amizade, sensibilidade, companheirismo e confiança, conceitos tão caros ao processo terapêutico. E o que falar sobre superação? Desnecessário, basta ver o filme para perceber o quanto precisamos uns dos outros de forma nutritiva, nos apoiando sim, sem deixarmos de cuidar de quem de fato somos, ou melhor, estamos sendo a cada momento. Não há como não refletir sobre a importância da autenticidade em nossas relações como condição necessária para uma existência saudável, independente de nossas limitações. Afinal, cada um tem as próprias limitações que precisam ser aceitas, para que os potencias tenham possibilidade de se revelar. O filme é brilhante, altamente recomendado e repleto de pequenas e grandes lições de vida, não perca!
A jornalista Mariana keller nos chama atenção para a aula de inclusão que o filme oferece:
Intocáveis” é daqueles filmes que fazem você se sentir leve e esperançoso. Um dos poucos filmes em que não vi uma pessoa sair do cinema sem um sorriso no rosto. Um filme que mistura drama sutil com humor inteligente e piadas certeiras, e que representa uma quebra de paradigmas para o cinema francês e, principalmente, para a conscientização das pessoas a respeito da inclusão. Porque inclusão social eficiente é enxergar o outro além da deficiência. Não há limitações para um coração cheio de sonhos. Para ler o artigo completo, clique aqui.






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