sexta-feira, 27 de maio de 2011

Encantadora de baleias

A encantadora de baleias ASSUNTO
Relações familiares, afetivas e sociais, cultura.
Neozelandês. Ao adaptar o livro baseado em uma lenda dos Maoris, a diretora conseguiu unir de maneira irrepreensível conflitos familiares, choque entre gerações e, especialmente, a luta de uma pessoa para mostrar que é forte o suficiente para enfrentar as regras estabelecidas. Encantadora de Baleia é um filme que utiliza as tradições de um povo para nos apresentar o belo drama de uma garota de 11 anos que tem que lutar contra o descrédito de seu avô e, ao mesmo tempo, conseguir um modo de impedir que sua comunidade fique cada vez mais desunida. É estranho percebermos que Paikea luta contra as tradições que a mantém à margem da sociedade para tentar salvar estas mesmas tradições. Dolorosamente ciente de ter quebrado a linha de sucessão desejada - "meu irmão gêmeo morreu, e eu não", diz ela -, Pai tira incentivo e bom senso de sua avó, uma personalidade forte. A decepção de Koro começa com seus filhos. A geração de seus filhos é preguiçosa e se sente deslocada. Os garotos cresceram e viraram pais semi-ausentes. O pai de Paikea, que aprendeu a escultura tradicional dos maoris e virou artista plástico com carreira na Alemanha, se vê dividido entre duas culturas. Seu bem humorado irmão, Rawiri (Grant Noa), cresceu gordo e preguiçoso. Determinado a encontrar um novo líder para seu povo, Koro começa a ensinar a garotos da aldeia o que é preciso para ser guerreiro. Quando os pais dos meninos observam seus filhos cantando os cantos tradicionais, eles mostram sentir-se ao mesmo tempo orgulhosos e envergonhados. Os atores deixam isso claro sem qualquer diálogo. O que move a história é uma conexão profunda com a terra e o mar. Este, alternadamente azul turquesa e cinza, é um personagem essencial na história, assim como o são as baleias que se comunicam com Paikea. O grande conflito nasce do amor genuíno que a criança sente pelo avô. Rejeitada de todas as formas (o desinteresse do velho pela criança transforma-se gradualmente em hostilidade aberta), Paikea vai tentar, de todas as formas, atrair a atenção do avô. Enquanto isso, o filme busca discutir assuntos mais nobres: menos a noção de família, e mais a maneira como os costumes ocidentais corrompem a pureza das comunidades mais primitivas.
Diversas questões são levantadas durante o filme. Sem dúvida a que mais chama atenção inicialmente diz respeito exatamente ao drama dos povos tribais. Estes temem perder os laços e a continuidade de sua cultura em um mundo cada vez mais consumista, individualista e globalizado. Mas o que significa manter as tradições? É mantê-las de forma inalterada, como a milhares de anos atrás, apenas porque “sempre foi assim”, e correr o risco de perder a sua verdadeira razão de ser, ou dar continuidade a ela com pequenas alterações, mas mantendo sua essência, significado e importância? O conflito central do filme é exatamente esse. Koro defendia sem perceber a permanência das alegorias, enquanto Pai almejava a continuidade da tradição. Mas as verdadeiras questões por trás do filme não dizem respeito exclusivamente aos maoris: são universais. Trata-se do processo de se aprender a viver, de se ter esperanças de dias melhores e de que sempre é possível recomeçar quando não esquecemos de quem somos e de que não estamos sozinhos. É isso que Pai traz a seu povo: uma nova chance de continuar e prosperar. A aldeia da menina é um lugar decadente e quase estéril no começo da película. Graças a Pai o lugar ganha um ar novo, como um jardim antes morto que agora tem grandes possibilidades de gerar novas e belas flores. Não que física e economicamente a aldeia mude num passe de mágica, mas o que muda é a perspectiva daqueles que ali vivem. Encantadora de Baleias é, enfim, uma sábia e belíssima fábula. Leia mais clicando aqui
SINOPSE
Os Whangara vivem, há mais de mil anos, numa bela e modesta vila na costa leste da ilha. Conta a lenda que um semi-Deus ancestral, de nome Paikea, chegou ali montado numa baleia. A partir daí, todo o primogênito de cada geração da linhagem ligada diretamente a ele, torna-se o líder da aldeia dos Whangara. Pelo menos, até hoje.A menina Pai é a sobrevivente de um parto complicado, que terminou com a morte de sua mãe e de seu irmão gêmeo, que assumiria o legado da família. Atormentado, o pai da menina parte sem destino, deixando a criança sob os cuidados do avô, Koro (Rawiri Paratene), o atual chefe da tribo. Entristecido pelo rompimento da linhagem, Koro cuida da neta com amor, mas mantém um certo distanciamento, afinal, sua missão na Terra era preparar seu sucessor e ele falhou, pois Pai não é o homem que era esperado. Quando Pai (Keisha Castle-Hughes) completa 11 anos, ela começa a tentar provar que talvez possa sim assumir o papel que seria de seu pai ou de seu irmão. Enquanto Koro, em busca de um futuro líder, ensina as tradições ancestrais aos meninos locais, Pai decide estudar por conta própria. Bisbilhotando as aulas do avô e com uma ajuda do tio, ela aprende danças, rituais e, principalmente, a lutar com a taiaha (bastão de guerra típico dos maori). Óbvio que tais estudos são completamente proibidos às mulheres. Mas se ela está cometendo o maior dos sacrilégios ou estabelecendo uma nova ordem para o povo milenar, só as baleias, os poderosos animais que deram vida àquela tribo, poderão revelar.
TRAILER

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