sábado, 12 de setembro de 2015

O pequeno príncipe

clip_image001ASSUNTO
Infância, relações familiares, sociais e afetivas, solidão, educação, controle, universo lúdico, criatividade e sensibilidade.
SINOPSE
Uma garota acaba de se mudar com a mãe, uma controladora obsessiva que deseja definir antecipadamente todos os passos da filha para que ela seja aprovada em uma escola conceituada. Entretanto, um acidente provocado por seu vizinho faz com que a hélice de um avião abra um enorme buraco em sua casa. Curiosa em saber como o objeto parou ali, ela decide investigar. Logo conhece e se torna amiga de seu novo vizinho, um senhor que lhe conta a história de um pequeno príncipe que vive em um asteróide com sua rosa e, um dia, encontrou um aviador perdido no deserto em plena Terra.
TRAILER

O OLHAR DA PSICOLOGIA
O assunto do setting terapêutico girava em torno do tema pontuado pela irmã, que sinalizou sua forma séria de educar. Nós conversávamos sobre o quanto a responsabilidade de educar provoca certa seriedade, principalmente em situações de pais separados, quando aquele que fica com a criança tem que fazer dois papéis, pai e mãe. O projeto de educar ocupa a mente da mãe ou pai de tal forma, que eles se esquecem de relaxar, brincar, acessar a criança em suas necessidades básicas. Lembrei-me, então, de um alerta de Ângelo Gaiarsa, um psiquiatra brasileiro, que afirmava que muitas mães estão tão preocupadas em serem “boas mães”, e, investem toda energia em alguma “receita” aprendida. Durante o processo há desperdício de energia, o que torna impossível ouvir o próprio filho com suas demandas particulares. Hoje fui ver O PEQUENO PRÍNCIPE, e, logo no início me lembrei desse episódio, quando em off, o personagem fala “Os adultos esquecem de brincar”. Imediatamente, percebi que o filme podia superar minhas expectativas. Sim, o filme é indicado não só para crianças, mas também para todo pai ou mãe, que ao se preocupar com o futuro do filho (a), planeja, investe e controla as suas atividades, visando a “melhor educação” para um futuro promissor. Durante esse processo, eles se esquecem de brincar, de ouvir e de participar efetivamente do universo da criança, muitas vezes sufocando seu potencial criativo. Além disso, na ânsia de garantir o futuro de um filho,  eles abandonam a criança interior, deixam de se divertir com a família, ficam sempre alertas para o comportamento “certo” e  “errado” do filho, assim,  afastam as possibilidades de crescerem juntos, de forma prazerosa, criativa e divertida. Voltando ao filme, quem conhece o livro também poderá se surpreender, pois a trama vai um pouco além do que foi proposto no livro de Saint-Exupéry.
A menina, personagem do livro, é alguém que vive dentro de uma programação feita por sua mãe obsessiva. Ela vive no automático até ser apresentada ao livro, que toca sua alma, afetando seu cotidiano, até então, automático. Por este viés, o filme discute a relação pais e filhos, a partir da ótica das escolhas  e das mudanças provocadas pelo lúdico. De bônus, o filme traz dicas sutis sobre a elaboração do luto, a capacidade de escolhas individuais e impacta ao telespectador com uma simples questão: Afinal, o que é realmente essencial? Para além de passagens conhecidas do livro O PEQUENO PRÍNCIPE, a animação também critica o sistema de educação, que exigindo demais de crianças e adolescentes, torna o processo seletivo estressante e pouco produtivo (falamos também de vestibular, Enem, etc.). A preparação para a vida adulta deveria considerar o potencial singular de cada criança e somente depois traçar um projeto (em conjunto), com os pais dando suporte nas dificuldades, fortalecendo a capacidade de enfrentamento de obstáculos e perdas. Para quem é sensível prepare o lenço, o filme emociona, encanta e cativa. Escolhi compartilhar o que me tocou, mas estou certa que inúmeros outros olhares serão possíveis diante da proposta, que parte do lúdico, tocando adultos e crianças em suas diferentes formas de estar no mundo. Ainda que respeite e homenageie o autor do livro, é através de imagens belíssimas, que contrastam o cinza com o colorido, que o filme aponta para o que pode ser essencial. Mas, se  “O essencial é invisível aos olhos”, cada espectador encontrará seu caminho onde e como for tocado pela estória. Adorei, recomendo!






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