segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O menino de ouro

clip_image001ASSUNTO
Luto, elaboração do luto, superação, relações afetivas, sociais e familiares e fé.
SINOPSE
Um casal decide adotar uma criança após diversas tentativas frustradas de ter um bebê. Zooey, em sua ida a um orfanato, se encanta por Eli, um pequeno garoto de 7 anos que anda de terno e gravata e se comporta como um adulto. Enquanto o coração de Zooey se enche de esperança com a possibilidade de vir a se tornar mãe, Alec, seu marido, tem de quebrar a cabeça para não deixar que a empresa, que seu pai construiu com tanta dedicação, vá a falência e seja obrigada a fechar as portas. Um filme para você acreditar realmente que o amor é para ser dividido e que nós estamos sempre rodeado por anjos, assim é Milagres Acontecem – O Menino de Ouro, que promete te emocionar do início ao fim.
TRAILER
O OLHAR DA PSICOLOGIA
Dia desses, um casal que atendo comentou sobre a experiência de ter assistido ao filme. Diante disso me senti na obrigação de ver. Assim como “A vida que segue”, o filme explora a elaboração do luto na perda de um filho. A diferença está na forma de elaboração. Nesse caso, o filho ainda era criança, e já pegamos o processo no momento que o casal estuda a possibilidade de adotar uma criança. Depois da perda, a mãe não consegue mais engravidar, ainda que fisicamente nada seja encontrado, que possa justificar sua dificuldade. Sua infertilidade é apontada como psicológica, tendo alguma ligação com a perda do filho. Ainda que o filme apresente uma visão surreal, incluindo mais de um anjo como suporte para o casal, o filme é emocionante e promove reflexão. No atendimento psicoterapêutico do consultório, é comum recebermos pessoas em situações de luto. Alguns apresentam algum sintoma físico, como consequência dessa dificuldade de enfrentar a nova realidade, outros podem apresentar sintoma psicológico ou apenas serem trazidos por parentes, quando reconhecem algo muito alterado no comportamento do indivíduo. Fato é que muito do que o filme apresentou, me remeteu ao papel do terapeuta no processo de luto de seus clientes. Os “anjos” do filme, representados pela criança misteriosa e o ‘sem teto’, dão suporte ao casal, facilitando que ambos descubram a própria força, apesar de todos os problemas.
Durante a trama, diversas passagens nos dão exemplo da importância de uma intervenção, que além de dar suporte para o enfrentamento da dor, possa facilitar o processo de autodescoberta, ampliando assim as potencialidades individuais. A família precisa se reconstruir, se redescobrir como família, ainda que um dos membros tenha partido. Não é um processo fácil, cada um tem seu tempo de elaboração do luto. O papel do terapeuta é semelhante ao que é vivido pelos anjos: facilitar o processo de reconfiguração familiar. Costumo dizer para meus clientes que o problema fica muito maior quando só conseguimos focar nele, tornando-o obstáculo para ver o mundo. “Experimente colocar a mão no rosto, impedindo de visualizar qualquer outra coisa”, exemplifico. “É assim que o problema fica quando focamos toda a atenção nele, ficamos impossibilitados de encontrar alternativas”. A observação de um “estranho” nos faz ver o quanto estamos nos impedindo, simples assim. Cada um, no seu tempo, passa a se descobrir mais. As pequenas intervenções dos anjos, aos poucos, vão favorecendo a atualização do casal, que começa a ter espaço para o diálogo sincero, começam a enfrentar e compartilhar suas dores, e, perceber que estiveram paralisados desde a perda. O suporte é oferecido no tempo suficiente para que se desenvolvam e possam caminhar por si. O sistema familiar, que esteve estagnado, fechado, adoecido, volta a abrir a porta para outras relações. A festa de natal é o simbolismo claro, quando compartilham a ceia com o “sem teto” (A mãe reconhece que ele poderia ser um filho ou um pai dela, que qualquer irmão poderia estar naquela situação). No filme, um milagre de natal é o que traz a vida para a família. Algumas frases do filme: “Às vezes, ajuda falar com estranhos”; “De dentro das cinzas nascem as rosas do sucesso”; “Eu sei o quanto é difícil lidar com a perda do Samuel, a dor que devem ter sentido, (...) não foi culpa sua.!”; “A dor vai embora, e, no tempo certo, será substituída por lembranças...”. Preparem os lenços, o filme emociona, ao retratar o processo de elaboração do luto familiar. Recomendo.




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