domingo, 29 de outubro de 2017

Os Meyerowitz: Família não se escolhe


ASSUNTO

Relações familiares, afetivas e sociais, alcoolismo, conflitos familiares, legado.

SINOPSE

Nova York. Harold Meyerowitz (Dustin Hoffman) é o patriarca da família, casado com Maureen (Emma Thompson) e pai de Matthew (Ben Stiller), Danny (Adam Sandler) e Jean (Elizabeth Marvel). Escultor aposentado e extremamente vaidoso, ele fica satisfeito ao saber que está sendo organizada uma exposição para celebrar seu trabalho artístico. Só que, em meio aos preparativos, Harold adoece e faz com que todos os filhos precisem se unir para ajudá-lo a se recuperar, o que resulta em várias situações que colocam a limpo traumas do passado. Danny é um pianista que abandonou a carreira e se dedicou integralmente aos cuidados da filha Eliza (Grace Van Patten), que agora aos 18 anos se mostra completamente independente de seu pai.
TRAILER

O OLHAR DA PSICOLOGIA

As peculiaridades de cada membro da família disfuncional podem ser resumidas na frase em destaque da trama: “Somos apegados a ideia que temos de nós mesmos”. Afinal, como tal idéia é construída? Qual é a influência da família de origem nessa construção? Os Meyerowitz podem revelar muito sobre o assunto.  Somos apresentados a família por Danny, o filho estagnado, que abandonou a carreira e se dedicou exclusivamente a educar sua filha. Ao contrário do pai, egoísta e distante, Danny negligencia a si mesmo, priorizando o afeto na relação com a filha. Como muitos adultos do nosso século, após a separação e a ida da filha para a faculdade, ele busca refúgio na casa da família de origem. Seu corpo expressa aquilo que não consegue elaborar, a raiva contida.
A família tem muitas mágoas que terão a oportunidade de transbordar no encontro de seus membros. A particularidade de cada personagem é revelada aos poucos, mostrando as influências da personalidade excêntrica do pai, fosse por sua distância ou de uma proximidade exacerbada. No caso de Mathew, por exemplo, a proximidade chegou a sufocá-lo, o que transborda na cena de reaproximação, quando a explosão é inevitável. Sim, Haraold, o patriarca, é também aquele que reúne e descentraliza seus membros. Sendo o responsável pelo distanciamento e a desavença entre os irmãos, ele está em sua terceira união, agora com sua extravagante, peculiar e alcoólatra companheira Maureen. Jean, a tímida, racional, passiva e esquecida filha, escolhe se dedicar a rotina do cuidado, sempre presente na vida complexa do pai, um movimento possível de resgate do cuidado que não teve. Em diferentes situações, a questão é levantada na trama em relação a todos. Questão sem resposta, apenas ilustrada na prática: a presença deles na hora da doença do pai, aquele que seria razão do ódio de cada um. Por que a raiva não é maior do que a necessidade de estar com ele? Se A influência do distanciamento paterno foi para Danny importante na educação de sua filha, vemos em Mathew, a mesma influência em contraste. Ele tinha sido o preferido, o “massacrado” pela presença constante, ele é o mesmo que constrói com seu filho uma relação quase virtual. O que falar de Jean, que não teve suas necessidades básicas atendidas pelo pai, que a negligenciou no momento mais traumático de sua vida, exatamente quando tentava resgatar seu convívio? Na cena quase cômica na qual sua lembrança é resgatada, a pedofilia é retratada como algo distante e presente, trazendo a criança assustada para a cena. É na tragédia, na doença do pai, o momento de fragilidade que os irmãos encontram possibilidades de passar a limpo suas relações. Os adolescentes já adultos disputam a atenção do pai, contatam suas frustrações, costuram temas comuns em diferentes situações. São pincelados assuntos, como: as relações terapêuticas e familiares no hospital, o estresse no trânsito, a falta de pudor da nova geração em relação ao sexo, o alcoolismo e o legado paterno. Confira!


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