sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Griff, o invisível

clip_image002ASSUNTO

Fobia social, diferenças, relações familiares, afetivas e sociais.

SINOPSE

Produção australiana de 2010 - Griff (Ryan Kwanten) durante o dia trabalha em um escritório, onde vive uma vida reclusa, intimidado por colegas de trabalho. À noite, ele é Griff - O invisível, um super-herói que perambula pelas ruas de seu bairro local protegendo os inocentes. Griff tem seu mundo virado de cabeça para baixo quando ele conhece Melody (Maeve Dermody), uma bela jovem cientista que compartilha a sua paixão pelo impossível.

Seus colegas de trabalho gostam de tirar sarro com a cara dele, seu irmão se preocupa com a personalidade excêntrica e tenta trazer Griff de volta à realidade, lembrando sempre que ele não pode mais se refugiar no mundo de super-heróis. No entanto, é o irmão racional quem fica atraído e namora Melody, uma pessoa que não aparenta gostar nada dessa realidade comum. Quando apresentada a Griff, ela fica fascinada pelas peculiaridades dele e começa a se apaixonar. A dificuldade do personagem em alcançar essa normalidade fica clara quando, na intenção de se camuflar especificamente à paisagem de um ponto de ônibus, Griff opta por sair de casa vestindo uma roupa chamativa, capaz de expô-lo em todos os demais cenários.

TRAILER

O OLHAR DA PSICOLOGIA

A identidade secreta de Griff é apenas o modo peculiar que jovem encontrou para preencher a própria vida. O filme fala de tolerância, de aceitação, fala sobre as diferentes formas de funcionar no mundo. O protagonista é uma pessoa com sérios problemas de socialização, indicando uma possível fobia social. Ele não tem amigos e ainda é perseguido por um colega de trabalho, que faz questão de evidenciar suas dificuldades. Seu irmão, seu único amigo, se esforça para trazer Griff para realidade, mesmo que se comporte de forma pouco convencional. Este irmão que surge como cuidador preocupado, também é aquele que opera uma “normalidade particular”, que se mostra enfadonha durante os encontros na casa da nova namorada, Melody. Aliás, ele é um cara muito esquisito. Ela, por outro lado, está fora dos padrões e quando é apresentada a Griff fica encantada, entrando em sintonia com o universo “diferente” em que ele vive.

Ela é um pouco mais sociável do que ele, embora passe a vida fazendo testes para atravessar paredes. Estamos diante de um romance nada comum, que acontece entre duas pessoas que não se encaixam nos padrões de normalidade da sociedade. Aliás, a discussão do que pode ou não ser normal para cada pessoa também aparece no filme. Melody, apesar de todo comportamento estranho, é quem esclarece ao irmão de Griff sobre a importância da realidade particular de cada um. Para Griff, ela diz: “Eu vivo numa bolha que ninguém, ninguém entra. (...) Eu não consigo me comunicar com ninguém. (...) Você, Griff, você entra nessa bolha”.

Como é ser diferente? Não se trata de um filme sobre super-herói, mas sobre pessoas que tem dificuldades para interagir socialmente e encontram um jeito particular de funcionar no mundo. Ele pensa que é um super-herói, enquanto ela se refugia em cálculos para encontrar uma forma de atravessar paredes. O que ambos têm em comum é a dificuldade de lidar com os padrões de normalidade, encontrando refúgio em suas esquisitices. Durante a trama, às vezes confundimos o que é realidade com o que suas mentes produzem. Mas, afinal, que mal há nisso? Para muitos, o filme vai parecer apenas uma comédia boba. Entretanto, há algo implícito que nos faz refletir a respeito desse limite rígido entre o que é ou não normal. Confira!

2 comentários:

  1. Não entendi qual transtorno é abordado no filme, Fobia social?

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    Respostas
    1. Anonimo,
      Desculpe a demora na resposta, tive problemas nas configurações do site.
      Então, sua pergunta é pertinente. A fobia social ou transtorno de ansiedade social é um medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho nas quais o indivíduo poderia sentir embaraço. Os indivíduos com Fobia Social, Generalizada, em geral temem situações de desempenho em público e situações de interação social. Os dados do filme podem sugerir sintomas semelhantes aos da fobia social, sim, mas não são dados suficientes para que o diagnóstico seja fechado. Aliás, em gestalt-terapia, o diagnóstico é processual, e, não se preocupa em restringir a pessoa. A prioridade é sempre como é a situação para o cliente, como ele vivencia este ou aquele diagnóstico. Fica clara a sua dificuldade nas relações sociais, no entanto, ele encontra sua forma peculiar de lidar com isso, não evidenciando sintomas normalmente esperados em situações de exposição. Certamente, o fato de se "fantasiar" o colocam em posição diferente daquela, ele se vê protegido pelo herói que encarna. Portanto, não há evidência de sofrimento nas situações. Ele se ajusta criativamente nas situações através do herói que simboliza o oposto de si mesmo. A invisibilidade deve ser o desejo secreto das pessoas com fobia social, única situação em que sentem-se confortáveis. Neste aspecto, seu funcionamento sugere, sim, a evitação das situações que poderiam gerar sintomas.
      Espero ter respondido sua pergunta. Volte sempre!
      Abs,

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