terça-feira, 21 de outubro de 2014

Helen Keller e o Milagre de Anne Sullivan

 
clip_image001ASSUNTO
Deficiência auditiva e visual, limite, relações familiares, afetivas e aprendizagem.
SINOPSE
A incansável tarefa de Anne Sullivan, uma professora, ao tentar fazer com que Helen Keller, uma garota cega, surda e muda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram, sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança.
O filme The Miracle Worker (sem distribuição no Brasil, produzido para TV em 2000 nos EUA, dirigido por Nadia Tass) é um "remake" de dois filmes sobre o mesmo tema: "The Miracle Worker", produzido em 1962, dirigido por Arthur Penn, distribuído no Brasil com o título O Milagre de Anne Sullivan; e "The Miracle Worker", também produzido para TV em 1979, dirigido por Paul Aaron, que em 1984 teve ainda uma sequencia com o título "Helen Keller, The Miracle Continues".
TRAILER
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O OLHAR DA PSICOLOGIA
O filme retrata uu período da história de vida de uma menina cega e surda. O nome dela era é Helen Keller, de sete anos, filha de proprietários de terras. Ela não sabia o que era mundo e não sabia como interpretá-lo, e apesar disso tudo, ela precisava muito se expressar. A trama retrata uma parte da história da menina, depois dela já ter perdido a visão e a audição. A família, por sua vez, após tê-la quase perdido, faz todas as vontades que pensam ser dela. Hellen, por sua vez, se parecia com um animal agressivo, ela chutava, mordia, cuspia, sem conseguir se comunicar. Foi o desespero, o limite diante dos espetáculos grotesco da criança, que favoreceu a descoberta de Anne Sullivan, a professora de métodos pouco convencionais, que surge para disciplinar, domesticar e educar a menina. Ela foi cega (fez nove cirurgias nos olhos) e usa óculos escuros para proteger-se do sol. Ao se deparar com Helen, entende que ali está o maior desafio da sua vida: o desafio de explicar a uma menina como viver no mundo e como entende-lo. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram.
O enredo fala sobre limites, psicológicos e físicos, sobre a constituição do ser no mundo, sobre educação, amor, relações afetivas, familiares e sociais. Quando falamos de mundo, falamos de contexto, do mundo que nos dá forma, ou que “de-forma” nossa existência. Não, na abordagem Gestáltica não consideramos o mundo como responsável pelo que nós somos, nos transformamos, etc. Entretanto, é nele que nos reconhecemos como ser, é nesse contato que nos tornamos, nessa negociação eterna entre as necessidades que nos conduzem e o que o mundo nos permite. Certamente, nos primeiros anos de vida, o mundo circundante, a família, os primeiros contatos, são os que nos IMPRIMEM as informações primárias sobre o funcionamento do contexto. Essas primeiras impressões nos acompanham por muito tempo, pois não existia experiência suficiente para escolha, “introjetamos” as primeiras informações como “verdade”, elas são naturalizadas. Não é diferente com Helen Keller, que compreende o mundo diante do que consegue contatar até então, seu mundo é silencioso e escuro, o contato com o mundo lhe é dado através das permissões e limites impostos pela família. Qual o contexto de Anne? O que ela pode conhecer do mundo? Como ela contata o mundo que permite trazer para seu campo (mundo pessoal) a compreensão dele, diante das próprias necessidades? Tratada como incapaz, pouca coisa lhe é revelada sobre o funcionamento do mundo social. Seus pais a consideram como “coitadinha”, tornando suas vontades soberanas. Não há limites, a menina tinha total domínio em sua casa, controlando o comportamento de seus familiares; ela não entende limite, educação, mundo social. Nesse aspecto, o filme é uma lição sobre limites do amor. Muitas vezes, os pais amam tanto, que ao “poupar” os filhos de sofrimento ou dor, acabam oferecendo uma informação ambígua, que ao proteger em excesso levam a informação de que a criança é incapaz. Sendo assim, a criança cresce insegura, não se percebendo capaz de enfrentar as frustrações, ficam fragilizadas. Muitas vezes, chegam ao consultório os diferentes diagnósticos, que revelam essa constituição fragilizada, incapaz de mostrar o potencial da criança em lidar com as derrotas, perdas e dores, coisas que fazem parte da vida. Amar é também dizer não, é dar suporte, sim, sem que o potencial do ser seja sufocado. Limite é importante para qualquer criança, limite psicológico e limite físico. Antes de qualquer diagnóstico, existe um ser com limite e potencial. Como despertar o potencial de alguém que é visto como “rótulo” (diagnóstico ou não)? Nesse aspecto, o filme dá uma lição, independente do rótulo que carregam. É importante ressaltar que qualquer que seja a limitação da criança, o rótulo de “coitadinha” não pode substituir a aceitação de sua condição, que é o ponto de partida para qualquer evolução: a aceitação do próprio limite.
A realidade não é bonita. Comer no prato não é fácil, saber indicar as coisas e seus significados é quase impossível. Anne resolve criar um método de comunicação entre elas: o tato seria o alfabeto. O tato serviria como o meio de comunicação, fazendo com que Anne e Helen desenvolvam uma sequência de palavras associadas aos gestos das mãos. O tato passa a ser a via pela qual a menina “enxerga” o mundo, até que, em um momento, compreende realmente a linguagem. A partir daí, aprende o alfabeto Braille e aos dez anos começa a falar. As cenas são emocionantes, nos fazendo refletir sobre assuntos diversos. Importante destacar que o filme foi baseado no livro de autoria de Helen, que se formou com louvor, contando sempre com Anne Sullivan.
            “Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar” – Helen Keller









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