terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Sete minutos depois da meia-noite


ASSUNTO

Câncer, processo de luto, imaginação, relações familiares, afetivas e sociais. Conceitos gestálticos: polaridades e ajustamento criativo.

SINOPSE

 Conor é um garoto de 13 anos de idade, com muitos problemas na vida. Seu pai é muito ausente, a mãe sofre um câncer em fase terminal, a avó lhe parece megera, e ele é maltratado na escola pelos colegas. No entanto, todas as noites Conor tem o mesmo sonho, com uma gigantesca árvore que decide contar histórias para ele, em troca de escutar as histórias do garoto. Embora as conversas com a árvore tenham consequências negativas na vida real, elas ajudam Conor a escapar das dificuldades através do mundo da fantasia. Ele refugia-se num mundo imaginário digno de conto de fadas, onde vive sentimentos de coragem, de medo, de compaixão, de fé e de perda.

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O OLHAR DA PSICOLOGIA
Lidar com o processo de luto de um ente querido é sempre difícil. Quando falamos de uma criança em fase de transformação tudo fica mais complicado ainda. Conor é "velho demais para ser criança e muito novo para ser um homem", ainda assim, precisa lidar da melhor forma possível com a situação. Baseado no livro “O chamado do monstro”, a trama acompanha o processo e as alternativas criativas para lidar com seus conflitos internos e externos. Na costura das relações consigo e com o mundo, ele encontra uma na solidez de uma árvore, a monstruosidade necessária para enfrentar a circunstância, que já é bem assustadora. Tal qual um processo terapêutico, acompanhamos a busca de sentido para tudo aquilo, através da busca de integração das polaridades em seu contexto. O filme apresenta o processo de luto, sem desconsiderar as fases necessárias, quais sejamNegação, raiva, barganha, depressão e aceitação.  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Cercas/ Um limite entre nós


ASSUNTO

Racismo, relações familiares, afetivas e sociais, crise existencial e social.

SINOPSE

Baseado na aclamada e premiada peça teatral homônima, um jogador de beisebol frustrado (Denzel Washington), que sonhava em se tornar um grande jogador durante sua infância, agora trabalha como coletor de lixo para sobreviver. Troy terá de navegar pelas complicadas águas de seu relacionamento com a esposa (Viola Davis), o filho e os amigos.


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O OLHAR DA PSICOLOGIA

A primeira palavra que me veio à mente foi ‘amargura’, e, no desdobrar da trama, ‘poesia’. Como é que duas palavras assim tão antagônicas podem preencher o enredo? Só assistindo para compreender. Troy é complexo, uma pessoa frustrada, ferida, amarga. Acompanhamos sua forma “engessada” de viver, e, sua dificuldade de lidar com o mundo e consigo mesmo. Ele é produto de uma história dura, transborda discursos intermináveis, sobrevive em uma armadura de valores rígidos, que muitas vezes o impede de entrar em contato com as emoções. O título do filme é uma metáfora. O limite das CERCAS é uma questão de honra, é obrigação, proteção e prisão. Os “deveres” contornam seu discurso, principalmente quando se refere à educação que impõe aos filhos. Não, ele não é de ferro, nem consegue sobreviver segundo seus próprios princípios. As relações familiares são ora poéticas ora extremamente rígidas. O amor está no ar, de uma forma difícil de capturar.  Dos vários irmãos dele, sobrou o contato com Gabriel, um sobrevivente com sequelas da guerra. Gabe pode ser problema, mas também solução. Com a amorosa esposa, Troy consegue ser agradável, ela que lhe dá suporte, ao mesmo tempo em que contém seus excessos. O amigo Bono é parceiro de jornada, bom ouvinte, respeitado e querido. Como muitos pais, não há lugar para o desejo dos filhos, sua receita de vida basta para impor suas crenças e valores. Ao relatar sua infância, Troy revela sua dor, a ausência de afeto, a imposição de obrigações com a família. Ele não aprendeu a amar, sua trajetória lhe deixou cicatrizes, que não quer deixar para o filho caçula. Entretanto, suas escolhas não foram as melhores. Preso a própria experiência, Troy não admite outras possibilidades. Impedimentos fazem parte da sua cerca, não lhe é permitido ouvir, ver, sentir novas perspectivas para os seus. “Cercas”  é um filme sobre relações familiares, sobre nossa relação com a família de origem, sua influência em nossa família e vida atual.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Lalaland – Cantando estações

ASSUNTO


Relações sociais e afetivas, realização profissional, relação eu-mundo, passado-presente, razão-emoção, conceitos Gestálticos: totalidade, contato, estética, "boa forma", processo criativo.

SINOPSE

Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

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O OLHAR DA PSICOLOGIA

Aclamado pela crítica, o longa encanta pelo conjunto da obra. O musical traz o ‘colorido da vida’ ligado pela ponte da cena inicial, ligação que pode ser o lugar da busca pelo sonho, o lugar da vida, o lugar do encontro, o lugar da existência . Temos uma bela metáfora, ligando passado e futuro (presente, caminho, momento), realidade e sonhos, razão e emoção, dentro e fora, eu-mundo, etc. Será que existe mesmo uma ponte que une/separa ou tudo é uma coisa só, uma totalidade? Lalaland toca o coração do espectador, contando uma estória simples, que resume muito bem o roteiro da vida de qualquer um. Como buscar a realização profissional e o amor, como escolher, como seguir ou não as receitas de felicidade? Oscilamos o tempo todo entre nossas necessidades e as necessidades do mundo que nos cerca, somos parte e todo, e, é nesta relação, nesta dança, neste lugar de ir e vir que vivemos e nos desenvolvemos. A ponte, lugar de ligação e de paralisação do trânsito, é também lugar de dança, música e movimento. Um recorte excepcional para expressar o processo da existência. Este é apenas o ponto de partida, ou uma perspectiva inicial, para falarmos de Lalaland, que canta e encanta em sua evolução, tocando o público de forma sutil, evidenciando o lugar de encontro como tempo-espaço de ganhos e perdas, o  lugar de escolhas. Não se trata de um simples musical, e, sim, de uma forma poética de expressar resumidamente a vida. Acompanhamos encontros e desencontros dos protagonistas em busca de seu lugar no mundo. O processo de conhecer a si mesmo e ao outro, descobrir-se, descortinar-se a cada encontro, faz de Lalaland uma obra excepcional. Não falamos apenas de estética cinematográfica, que inclui cores e sons para englobar sua beleza, falamos da estética da vida, que supera os requisitos exigidos pela academia da sétima arte, pois prioriza o fluir como condição necessária para a busca da “boa forma”.