domingo, 18 de março de 2018

Viva - A vida é uma festa!



ASSUNTO

Relações afetivas e familiares, perdas, luto, morte, memória afetiva, Constelação Familiar, autoconhecimento, totalidade, campo, contato (conceitos gestalticos).


SINOPSE

Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

TRAILER


O OLHAR DA PSICOLOGIA

Animação encantadora que ousa falar de morte, real ou simbólica, através de música, cores, poesia e afeto familiar. É impossível permanecer indiferente diante de questões que podem ser tanto singulares, quanto comuns. Ainda, que o enredo tenha como pano de fundo a cultura mexicana, ou, que explore questões particulares da família de Miguel, estamos diante de temas comuns a qualquer família. Sendo assim, há na trama o encontro, ou embate, entre a tradição familiar e os desafios da nova geração. Toda família tem suas próprias regras. Suas crenças e valores são, muitas vezes, desafiados pela nova geração. Miguel não foge a regra, deseja transgredir os limites impostos pela família, pois a música é a arte que já faz parte de quem ele é. É no “dia de muertos”, feriado celebrado pelos mexicanos de um jeito especial, que ele decide ir atrás de seu sonho. No processo de individuação, ou, na busca por sua identidade, Miguel se depara com uma parte que falta na foto da família. Essa parte faltante o leva para o mundo dos mortos.  A morte, ou, os mortos, ganham outra perspectiva, sendo suavizados através da expressão repleta de sons, cores e o clima festivo. Aqui, a chave mestre é o afeto, aquele capaz de manter na memória a lembrança do familiar que partiu. A dor não é o único caminho. Para os mexicanos, é dia de festa, com direito a oferendas diante das fotos dos entes e a família reunida, é um encontro de gerações. Na celebração, o caminho é decorado com pétalas de flores, para que os entes queridos possam visitar suas famílias (o que só é permitido no referido feriado).  Além de homenagear a cultura mexicana, a animação convida o expectador a entrar em contato com seu campo familiar, o que pode promover boas reflexões.
Para quem conhece ou vivenciou uma Constelação Familiar, o filme pode ser uma oportunidade de rever alguns princípios propostos por Hellinger, como lealdade familiar, exclusão, sensação de pertencimento e ancestralidade. Na abordagem da Literatura e mitologia, o herói tem que descer aos infernos, a fim de libertar alguém ou cumprir uma etapa necessária na busca do seu autoconhecimento. Sua luta, travada com monstros assustadores, pode representar a luta consigo mesmo, na busca de integração de seu mundo. Miguel está nessa jornada. Na abordagem gestáltica, as partes alienadas, ou situações inacabadas, são sinalizadas através de sintomas ou conflitos. A necessidade de elaboração, enfrentamento ou aceitação é busca pela totalidade do ser, o caminho da autorrealização. Miguel enfrenta sua própria jornada, aprendendo mais sobre si mesmo, afetando e sendo afetado no mundo, seja dos mortos ou dos vivos.   Campo, parte-todo, ciclo de contato e teoria organísmica são alguns dos conceitos que podem ser observados na trama. Entretanto, na perspectiva da Gestalt-terapia, a riqueza da animação está no fato possibilitar ao espectador o contato com seu mundo próprio, ou, seus tantos mundos possíveis. As sensações despertadas pela trama permitem uma experiência única. A mesma magia que possibilita ao Miguel uma nova perspectiva, também encanta o espectador, que pode ser “tocado” de forma surpreendente. Cativante, a animação emociona o público, de qualquer idade, tirando gargalhadas e lágrimas naturalmente, sem apelações.  Resumindo em uma única palavra, é espetacular, não perca!
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