domingo, 19 de fevereiro de 2012

Meu nome é Khan

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Autismo, “Síndrome de Asperger”, Luto, preconceito etnico, diferença, violência, amor, perdas, superação, potencialidades.
SINOPSE
O filme “My Name is Khan” conta a história de Rizvan Khan, um indiano portador da síndrome de Asperger's, um tipo de autismo. Depois que se muda para os Estados Unidos, Khan se apaixona por Mandira, uma cabeleireira separada que vive com o filho Sameer (Sam). Khan é maometano e Mandira, hindu, mas suas diferenças religiosas não impedem que se casem. Os problemas começam com o 11 de Setembro, quando passam a ser atacados por sua origem étnica e devido a generalizações preconceituosas. Depois de sofrer bullying por parte de colegas, Sam é morto em uma briga, e Mandira, revoltada, culpa o marido, e lhe diz que ele só poderia voltar depois que dissesse ao presidente da república que ele não é um terrorista, e que o filho dela também não era. Rizvan interpreta isso literalmente, e empreende uma peregrinação para ter sua esposa de volta.

TRAILER


O OLHAR DA PSICOLOGIA
Madrugada, carnaval, ligo a TV e encontro o filme no telecine. “Asperger” me chama a atenção na sinopse, mas a intenção era apenas que me ajudasse a dormir e depois poderia procurar o filme para assistir com calma. Eu já estava com muito sono, no entanto fui despertada pela trama que me envolvia mais e mais, a cada momento. Acabei por ver o filme completo, às vezes chorando, às vezes rindo, mas completamente encantada. Ultimamente tenho me deparado com filmes indianos imperdíveis, este é um deles, recomendo! Trata-se de uma trama muito bem costurada que aborda assuntos diversos. A história de uma pessoa diagnosticada com Síndrome de Asperger, e sua forma de funcionar no mundo diante das mais diferentes dificuldades que encontra em seu caminho. Khan é também mulçumano e está incluído no grupo das pessoas boas, pois como dizia sua mãe “só há uma única diferença entre os seres humanos, as pessoas boas e as más”. Apesar dos obstáculos impostos por seu funcionamento, o amor de sua mãe o permitiu desenvolver suas potencialidades, tornando-o um adulto inteligente e habilidoso. Ao trabalhar com a venda de produtos para salão de beleza, Khan conhece Mandira, uma cabelereira por quem se apaixona. Logo que compreende o que sente, embora tenha dificuldade tanto de expressar sentimentos como de fazer contato, ele se emprenha em convencê-la a se casar com ele. Mandira têm um filho que aos poucos vai se tornando também filho dele, que acaba por registrá-lo como tal. A família se muda para Los Angeles, onde a esposa começa o próprio negócio, um salão de beleza, onde o casal segue trabalhando, construindo a família tão desejada por ambos. Até aqui, somos convidados a compartilhar momentos de alegria com essa doce e pura criatura e sua determinação e pureza de lidar com o mundo. A trama muda de tom e nos proporciona momentos de tristeza e perplexidade diante de todos os acontecimentos a partir de 11 de setembro.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Inquietos

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ASSUNTO
Morte, perdas, luto, adolescência.
Confesso que quase desisti quando percebi que a trama se parecia muito com o filme “Ensina-me a viver”, uma obra prima da década de 70 que conta a estória de duas pessoas que também se conhecem durante um velório. Entretanto, fora isso, apenas a diferença dos personagens na forma de lidar com a morte pode marcar alguma proximidade entre as estórias. Aqui, falamos de outros personagens e de outros tipos de conflitos. “Inquietos” apresenta um adolescente perdido, produto de um luto não elaborado na ocasião da perda dos pais. Em sua rotina pouco convencional, conhece uma jovem com câncer que possui uma atitude muito positiva em relação à vida. Dentre os assuntos considerados difíceis para o ser humano lidar, certamente a morte é de longe o mais complicado, considerando a cultura ocidental, claro. Se a finitude é algo que assombra os dias de vida, a perda é outro aspecto do sofrimento que ronda os caminhos do ser humano. E é exatamente na adolescência que qualquer assunto fica muito mais complicado de ser abordado, visto ser um momento de mudança onde o maior dilema está na definição do seu lugar no mundo. É exatamente nessa fase que os personagens se conhecem. A dificuldade de lidar com morte e perda é abordada de forma poética no filme, através do casal protagonista, que aos poucos vão sendo nutridos pelas trocas dessa relação. A oposição dos personagens é o que oferece a oportunidade de crescimento para ambos. É nesse encontro de diferenças que ele encontra o caminho para elaborar também o luto de seus pais, é através do enfrentamento dos dias de despedida que Enoch se dá conta que não pode se despedir dos pais. Sua raiva vem à tona, e, o mundo começa a ficar mais real. Seu amigo “fantasma” (imaginário) é o que “morreu para honrar a família”, mas que perdeu a oportunidade de amar de fato, sem medo do tempo que poderia restar a esse amor. - Amigo que serve de suporte enquanto não consegue encarar suas dores e sofrimentos, buscando seu equilíbrio (a parte positiva restante de si que o que não estava pronto ainda para enfrentar) -. Muitos de seus conflitos são elaborados através do personagem fantasma, que desaparece no momento que ele decide encarar o amor, apesar da possibilidade de perda, de morte, do fim, Morte, transformação, mudança de ciclo, tudo isso é representado no filme de forma sensível. É no final, através de seu discurso silencioso, que Enoch se despede da forma mais bonita possível. Seu silêncio e sorriso marcam o renascimento, uma mudança real de ciclo, da qual sai amadurecido.
Sobrevivente de um acidente que matou seus pais, ele vive em depressão. O jeito que encontrou para lidar com a morte foi tornar-se penetra de funerais. (...) Van Sant consegue um equilíbrio difícil ao introduzir um toque surreal no terceiro personagem, Ryo Kase (Hiroshi Takahashi), sempre vestido num curioso uniforme de piloto kamikaze da Segunda Guerra Mundial. Se logo se pode imaginar a verdadeira natureza de Ryo, nem por isso suas conversas com Enoch são menos saborosas, já que ele funciona como um misto de alter ego e observador do amigo e de seu romance, a quem não falta uma fina ironia. (...) Embalado nessa espécie de aura espontânea dos dois protagonistas, o filme, que foi exibido na seção "Um Certo Olhar", do Festival de Cannes 2011, respira uma doçura juvenil com a qual só muito mal-humorados não vão simpatizar. Leia mais clicando aqui.
O roteiro do filme é sempre pensado pra frente, mostrando que o passado dos dois não faz diferença, e sim o seu futuro juntos. Mesmo assim temos alguns detalhes que explicam as atitudes de Enoch, mas nada que explica o conformismo de Annabel. Mais, aqui.
Fala-se do fim nesse filme. Não como tragédia, mas sim renascimento. Refundação de uma pessoa. É pela morte, pela quebra e ruptura que se faz possível encontrar vida, recomeço, outros caminhos. Numa história potencialmente tristonha, Van Sant retira a melancolia de cena e põe o sorriso contido. Leia mais...
(...)o filme passa o tempo todo buscando uma forma mais leve de se olhar para a vida e de poder aceitar assuntos ainda tão doloridos para nós como perda e doenças ainda incuráveis. (...)“drama de aceitação” sobre a infelicidade, angústias e inevitabilidades que nos cercam – e que a felicidade seria como a relação entre Enoch e Annabela, algo rápido, intenso e breve – como a vida humana, que como diz a protagonista é equivalente a segundos em toda a existência do universo. Clique para ler mais.
À primeira vista Inquietos parece bem narrativo porque o arco dramático de Enoch é claro: diante da possibilidade da morte de Annabel, ele conseguirá digerir o luto engasgado por seus pais. (...)Em Enoch e Annabel - casal de nomes ancestrais que se vestem como seus avós - o cineasta encontra um amor ao mesmo tempo velho e atemporal, envolto em fabulações e teatros que dão à relação um bonito ar de tragédia antiga. É a inocência devolvida e é também uma espécie de infância reconquistada - aquilo de que o órfão Enoch tanto sentia falta. (...)Mas o idílio é só uma passagem. Quando Enoch e Annabel deixam o "mundo natural" e retornam ao convívio, Inquietos revela nos detalhes a transformação do casal. O plano dos dois deixando o hospital é o mais interessante: enquanto o médico continua conversando com a irmã mais velha da garota, Enoch e Annabel caminham pelo corredor de vidro, e a iluminação dessa cena passa a impressão de que os dois, apesar das más notícias, saem enlevados, flutuando no ar. Leia aqui...
SINOPSE
No filme, Annabel Cotton (Mia Wasikowska) é uma bela e encantadora paciente com câncer terminal que é profundamente apaixonada pela vida e pela natureza. Enoch Brae (Henry Hopper) é um jovem que desistiu dos negócios da vida, depois de um acidente que tirou a vida de seus pais. Quando esses dois “desajustados” se encontram em um funeral, eles acham algo em comum em suas experiências de vida. Para Enoch, isso inclui seu melhor amigo, Hiroshi (Ryo Kase) que é o fantasma de um piloto Kamikaze. Para Annabel, envolve uma admiração de Charles Darwin e um interesse em como as outras criaturas vivem. Ao saber que Annabel está prestes a morrer, Enoch quer ajudá-la a enfrentar os últimos dias com um irreverente abandono, um destino tentador, e a morte por si própria.
Assim como o amor entre os dois cresce, a realidade do mundo se fecha sobre eles. Com ousadia e um pouco de infantilidade, os dois irão enfrentar bravamente o que a vida reservou para eles. Combatendo a dor, a raiva e a perda com brincadeiras e originalidade, esses dois desajustados viram a mesa e decidem viver de acordo com suas próprias regras. Sua jornada começa a colidir com a implacável marcha do tempo, com o ciclo natural da vida que levará Annabel.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

O silêncio de Melinda

 
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Abuso, Adolescência, relações familiares, afetivas, sociais e terapêuticas, psicologia escolar, familiar e do adolescente.
A princípio, achei que fosse um filme sobre o universo adolescente. Afinal, guardando as devidas diferenças culturais, alguns dos dilemas da adolescência são universais. O que logo fica evidente na estória é a ambigüidade tão peculiar a esta etapa de vida. A necessidade de se diferenciar e, ao mesmo tempo, de sentir-se igual outros. A dicotomia é comum na mudança para o mundo adulto, pois há um ímpeto em querer ser “único”, se destacando na multidão, se opondo a tudo que lhe parecia até então “verdadeiro”. Por outro lado, há também a necessidade de se identificar com algum grupo que lhe dê um “lugar”, nessa fase que se entende como um “nada”, para algumas situações não é mais criança, para outras ainda não é adulto.
Pois bem, Melinda relata suas sensações a partir do primeiro dia de aula, com as reclamações que poderiam ser de qualquer aluno nesta fase. Aos poucos, vamos acompanhando com detalhes seus contatos com o universo escolar e começamos a desconfiar que a personagem seja vítima de bullying. Podemos acompanhar sua angústia diante de cada rejeição, cada fato que lhe causa dor. No desenrolar da trama, acontecimentos do ano anterior, aos poucos são revelados, nos fornecendo pistas sobre o que poderia ter causado, não apenas seu comportamento isolado, mas também o comportamento de todas as tribos que a rejeitavam.
Logo ficamos sabendo que os colegas a odeiam por ter chamado a polícia numa festinha do outro ciclo escolar, prejudicando muitos. Sua versão dos fatos começa a nos ser apresentada através de flashbacks, que nos revelam trechos dessa mesma festa. As relações de Melinda foram contaminadas. Fica clara a diferença entre a Personagem “enturmada” no passado e a que se revela isolada, sendo considerada “esquisita” por aqueles que não presenciaram a festa. Em casa ela dá sinais de que algo anda errado, tanto quanto no ambiente escolar, mas nem seus pais nem seus professores tentam descobrir o que de fato ocorre com a moça. Então, somos familiarizados com a origem de tudo: O galã da escola havia a estuprado na tal festa e na atualidade namora a sua ex-melhor-amiga. O silêncio de Melinda é também o silêncio de muitas que passam pelo mesmo episódio, faz parte de um comportamento padrão, quando a vítima é paralisada, fica confusa entre a culpa e a vergonha, sem conseguir elaborar o fato.
Então, o professor de artes, começa a dar espaço para a expressão de sua dor. Aqui, como no filme “Somos todos diferentes”, o professor de artes configura perspectivas da relação terapêutica. Ele estimula sua expressão a cada momento, dando espaço para que ela possa aos poucos se reconstruir, se integrando, organizando através da arte seu mundo dilacerado. Suas angústias vão sendo aos poucos enfrentadas, restando apenas o segredo do passado que implora por ser revelado.
Faço aqui um intervalo para chamar atenção sobre outras formas de comunicação. Pais e professores que conhecem o aluno podem perceber mudanças bruscas que tentam dizer algo. É certo que a adolescência em si caracteriza comportamento diferenciado, mas as bruscas mudanças estão sempre a serviço de comunicar algo. É preciso mais que ouvir palavras, o corpo e as atitudes também falam! Tente perceber as diversas tentativas desse “organismo” se comunicar no filme, seja o momento do pesadelo, ou de diversos outros movimentos. Em gestalt-terapia, nossa visão de homem abrange um “organismo em relação”, que é o conjunto do ser e sua forma de estar no mundo. O “organismo” comporta seu campo – configurado por todas as relações que influenciaram e permanecem na sua forma de estar no mundo agora. De acordo com essa visão, nosso organismo está sempre em busca do equilíbrio, da auto-regulação, buscando atender as necessidades do indivíduo.
Ao telefonar para a polícia, a intenção era denunciar o abuso que tinha sofrido. No desdobrar dos acontecimentos, a personagem paralisa, mais do que só o corpo, seu organismo tinha sido violentado como um todo. A cena do retorno para sua casa mostra o quanto está desnorteada e perdida, seu caminhar é vazio, segue no “automático”, sobrevive ao fato, funcionando de “forma disfuncional”, o silêncio serve a busca de auto-regulação, mas não atende a auto-realização, que é natural ao ser humano. A situação inacabada, assim considerada em gestalt-terapia, busca um fechamento satisfatório. A “forma” (=GESTALT) de funcionamento de Melinda denuncia uma situação inacabada, durante a fita, acompanhamos as diversas tentativas de ser concluída, sendo trazidas, aos poucos para sua consciência, como necessidade urgente. A expressão artística de suas dores vai abrindo espaço para contatar o mundo como é agora, se libertando aos poucos de cada trecho do passado que consegue elaborar, se aproximando de fato de sua “forma” de ser. A adolescente começa a fazer contato com o mundo, está pronta para ouvir a colega, quando lhe explica que:  para ela realmente tornar-se uma revolucionária, o silêncio não pode ser tão eloquente como seu discurso. A cena na qual Melinda cabula a aula, ilustra a emergência de sua necessidade de fechamento, quando ela reflete sobre a possibilidade de contar para alguém, qualquer pessoa...
Na trama, após um difícil comunicado – Melinda escreve para a amiga, pois ainda não consegue falar sobre o fato-, o autor do estupro busca silenciá-la através de uma segunda tentativa de estupro. Entretanto, não há mais silêncio no mundo da adolescente, existe reação por agora e por ontem. A menina está pronta para falar, assim a fita segue até o momento que a mãe oferece a opção do silêncio, ao que ela retruca, “Não, eu quero falar”. Desfecho com sabor de liberdade.
O filme é de fato sobre o estupro, sem perder de vista os dilemas do adolescente e suas possibilidades. Uma denúncia ao silêncio, tão comum em fatos semelhantes, o filme nos oferece a oportunidade de refletir sobre outros aspectos do universo familiar e escolar. Entre publicações sobre o filme, destaco os artigos a seguir, que merecem atenção:
SINOPSE
É o primeiro dia do primeiro colegial para Melinda, mas ela não se mistura à euforia dos corredores da escola, na verdade é como se nem estivesse ali. Isolada pelos amigos por ter chamado a polícia durante uma festa da galera, ela não consegue falar do terrível trauma que sofreu naquela noite, nem para as amigas, nem para si mesma. Mas decide tentar reencontrar sua voz e, finalmente, se expressar. O Silêncio de Melinda é um filme contundente e perturbador, adaptado do best seller "Speak" vencedor do prêmio New York Times.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Filhote

Filhote
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Homossexualidade, infância, drogas e Aids.
Misturando temas ousados, polêmicos e explosivos, o filme apresenta o universo homossexual de uma forma diferente. Nada do que estamos costumados a ver, pois se trata de uma comunidade gay de gordinhos e gordões, chamada de “ursos” em Madrid. Sendo apresentada em seu cotidiano, não há falsos pudores nas cenas, que revelam com naturalidade as trocas de beijos, olhares e carícias vivenciadas entre gays, seja na cama ou em outro lugar. Tudo é retratado com naturalidade, sem vulgaridades, ainda que possa chocar àqueles que se dizem sem preconceito, mas estranham as cenas de amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Portanto, não pode ser apreciado por homofóbicos, de forma alguma! Não é como outros filmes, que focam as questões existenciais daquele que é homossexual. Não, ao contrário, o tema segue o cotidiano de vida sendo modificado por acontecimentos reais, que podem alterar a vida de qualquer pessoa. Entretanto, a naturalidade das cenas de amor entre os gays ainda chocam bastante a diversas culturas, que ainda acreditam que se trata de uma “doença” ou uma questão de escolha. Lamentavelmente, é uma realidade também em nosso país, que ainda levanta diversas polêmicas e violência em torno do tema.
Voltando ao filme: a chegada do sobrinho torna a vida do tio um tanto quanto diferente. Ele inicia uma rotina bem distante da que está acostumado, na tentativa de oferecer um ambiente saudável para o sobrinho. É interessante notar o companheirismo e parceria construída entre ambos, irá fazer com que o tio reveja sua vida. O envolvimento da mãe do menino com drogas irá alterar a vida de ambos, trazendo novos desdobramentos, incluindo o surgimento da avó do menino, que se opõe a possibilidade do neto ser criado por um homossexual. O restante da estória, só assistindo para descobrir.
Os amigos percebem que ele está sobrecarregado por conta da criança e da situação da irmã e fazem uma festa surpresa regada a muito cabelo e colocação. Leia mais clicando aqui.
(…) contrariando expectativas preconceituosas de que o universo gay se limita a homens afetados ou musculosos. Leia mais clicando aqui.
SINOPSE
Pedro (Jose Luis Garcia-Perez) é um dentista homossexual que passa a vida à procura do prazer. Certo dia, ele se oferece para cuidar de Bernardo (David Castillo), filho de 11 anos de sua irmã Violeta (Elvira Lindo), que parte para a Índia com o namorado. No início, Pedro muda o seu comportamento para poupar o sobrinho, que não dá nenhum trabalho para o tio. Mas a tranqüilidade acaba quando Violeta e o companheiro são presos e ficam anos encarcerados na Índia. Pedro terá então de enfrentar a avó paterna de Bernardo, já que ela não aceita que o neto seja criado por um homossexual.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O artista

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Casal e família, relações familiares, afetivas e sociais, depressão, suporte, transformação.
Acabo de assistir a mais um filme indicado ao Oscar, e, ainda que seja um romance belíssimo que faz homenagem a era de ouro do cinema mudo, a trama me fez refletir sobre sensações e sentimentos análogos ao drama vivido pelo artista. Assim, compartilho com vocês minhas reflexões.
Como é sentir-se ultrapassado, inadequado, sem lugar no mundo? Como é perceber-se mudo diante de um mundo novo, onde as palavras já não te dizem nada? Como é sentir-se sem voz diante de uma avalanche de novas formas de funcionar no mundo que lhe são incompreensíveis? Como é olhar em volta e ver um mundo no qual se sente simplesmente invisível? O velho abre caminho para uma nova geração, repleta de novos conceitos, novas linguagens, novas músicas, novas formas de funcionamento. O sucesso é ser diferente do que um dia foi, é inovar com caras novas... Mais do que uma homenagem ao cinema mudo, “O artista” fala da sensação de decadência frente às vozes e corpos que trazem novidades. O orgulho impede o artista de se atualizar, a mudança não é aceita, a rigidez impera e o homem de sucesso se recusa a adaptar-se. O orgulho se torna seu inimigo, pois nem quando consegue reconhecer o encanto desse novo mundo, Vanentin é capaz de se render a modernidade. Consegue até achar graça, se deixar envolver, mas em seguida escolhe olhar para as impossibilidades, para o fracasso e a inaptidão. O belo denuncia sua oposição, o impedindo de reconhecer a beleza de sua existência, ao contrário, o faz sentir-se nulo, decadente, vazio. A depressão se instaura, a solução para tanta dor e inadequação só pode ser desistir. O “velho”, ao se deixar seduzir pelo “novo”, belo e alegre, sente-se feio, triste e muito, muito velho. Suas certezas são enfraquecidas frente à realidade, o que era reconhecido como único sucesso, agora se deteriora, desaparece frente aos avanços tecnológicos e as novas formas de projeção. Agora o artista desvaloriza sua história e experiência de vida, desqualifica a própria identidade, não se permite mais continuar. Mas o amor, ah, o amor cuida. Representado por seu cachorro e pela atriz, que reconhece seu sucesso como resultado de sua história, o amor cura. É esse amor que busca unir o melhor de ontem ao sucesso de hoje, transformando o “casamento” em algo mais inédito, dança e sapateado faz o casal caminhar para novos rumos.
Tudo isso me fez lembrar a desvalorização das gerações mais velhas. A velocidade de novas tecnologias e formas de estar no mundo, a cada dia está mais acelerada, e são menores as chances dos mais velhos se adaptarem. A internet, as novas mídias, os novos Iphones, Ipads e outros “brinquedos” tecnológicos reforçam a sensação de inadequação das gerações anteriores. A velocidade das informações fazem com que netos desafiem a sabedoria dos avós, pais e tios. Há quem diga que já nascem com “chip”, conectados ao mundo de facebooks, orkuts e twitters. Interessante notar que a falta de um “casamento” adequado entre as duas gerações tem gerado problemas psicológicos de todos os tipos em ambas as gerações. O novo, quando não valoriza sua história, vive no automático, absorvendo excesso de informações sem qualquer tempo para digeri-las, experimentá-las de fato e entrar em contato com as sensações. A geração mais velha, quando paralisa, se recusa a reconhecer os aspectos positivos dos avanços tecnológicos, se fecha em um mundo que não mais existe, perdem a alegria de viver. Assim, temos os quadros patológicos extremamente opostos, ansiedade e depressão vão sendo constituídos em grande quantidade nesse novo milênio. E mais uma vez, penso eu, o caminho de volta é o amor, o cuidado, o diálogo. É valorizar o que é bom em cada geração, respeitar as diferenças e celebrar trocas, pois o verdadeiro e saudável encontro só é possível na diferença!
Voltando ao filme como se apresenta, trata-se de um romance delicioso, bem cuidado, envolvente, delicado que além de prestar uma homenagem ao cinema, trás um elenco impecável, uma trilha sonora belíssima e uma fotografia deslumbrante. Diferente do que estamos acostumados a ver, “O artista” é recomendado, não apenas por sua indicação ao Oscar, mas também, e, principalmente, porque cada um de nós tem em si um artista que trilha o caminho da vida. Confira, vale à pena!
(…)o filme fala sobre o amor, sobre admiração e a cima de tudo o respeito entre um homem e uma mulher.Crítica, leia mais clicando aqui.
The Artist resgata um pouco daquela magia, acertando o tom na homenagem ao cinema que, de quebra, fala sobre valores um tanto esquecidos também, como a gratidão, a generosidade e a capacidade de reinventar-se. (…) Genial a sequência do pesadelo dele, e a simbologia de que há som em tudo, menos na garganta do personagem, que parece “incapaz” de falar. Evidente que ele não era mudo, mas de uma forma simbólica ele “não consegue falar” porque não admite a mudança na indústria que lhe rejeita como “ultrapassado”. Ele não luta contra isso. Prefere se desfazer de todos os bens e abraçar incontáveis garrafas de bebida do que pedir um favor para os “cartolas” do cinema ou aderir ao cinema falado. No final, outra vez, o som entra em cena, quando ele decide acreditar que é possível recomeçar. (…) The Artist é também uma lição sobre recomeços, persistência e memória afetiva.Leia mais... 
SINOPSE
A trama é a história de vida de George Valentin, o interprete número um de Hollywood no tempo do cinema mudo. Seu sucesso era inegável e seu carisma garantia sessões lotadas. Certo dia, ele se esbarrou acidentalmente com um fã incondicional e com ela termina sendo capa do jornal. Ela, Peppy Miller, estava tentando começar uma carreira e com a ajuda dele consegue um primeiro trabalho. O mundo começou a mudar e com o avanço tecnológico, os filmes passariam a ter reprodução de vozes, o que para George era um absurdo e novidade pela qual ele recusou adaptar-se. Seu sucesso vai se esvaindo e sua alegria de viver se perde com ele. Peppy por sua vez, teve, com essa mudança, a grande chance de sua vida, mas nunca ela deixaria de ser grata ao homem que lhe ajudou e por quem ela sempre teve uma paixão.
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Os descendentes

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Luto, relações familiares, relações afetivas, legado, traição, casal e família, adolescência.

A volta ao simples é o que marca a indicação do filme ao Oscar. Simples assim, um filme que fala de conflitos familiares, aqueles tão próximos da realidade de cada um de nós. Acompanhamos a perspectiva de Matt King frente às reviravoltas que a vida dá. Já no início, suas reflexões relatam seu momento de vida, quando aponta o contraste entre a aparência externa do paraíso e sua realidade particular. Esse externo/interno nos convida a ir além do lugar geográfico, refletindo sobre o lugar “pessoa”. Matt prossegue nos familiarizando com a situação, compartilhando o impacto do acidente da esposa em sua vida. A ameaça de perda o faz refletir sobre suas ações, seu distanciamento da família, sua responsabilidade como pai e marido. Assim, somos apresentados ao momento de vida de um homem comum enfrentando crises existenciais pelas quais qualquer pessoa pode passar. Devo sugerir que assistam ao filme antes de continuar a leitura, para que suas reflexões sejam despertadas pela experiência de assisti-lo, sem que nossos comentários  possam influenciar. Fica o convite para retornar e partilhar sua percepção.
Um legado familiar, uma esposa desenganada, filhas desconhecidas e a traição são eventos que devem ser enfrentados por Matt, que é provocado a fazer novas escolhas, a cada momento. O luto é vivido em diferentes estágios durante o desenvolvimento da fita. Aos poucos ele vai reconhecendo as filhas, como funcionam no mundo, como estão enfrentando a situação. A filha menor, que está em fase de transformação da infância para a adolescência, apresenta problemas de comportamento. Não muito diferente, a filha mais velha é flagrada com bebida alcoólica, os primos o pressionam a decidir pela venda da propriedade herdada e o sogro o culpa pelo destino da filha. Como cada um reage ao luto? Como é enfrentar a perda de um membro familiar? Raiva, tristeza, desespero, apatia, negação, quantas emoções podem ser vividas na situação!
A filha mais velha é personagem também marcante, que vive um processo de auto-descoberta durante a trama. Mesmo brigada com a mãe, ao saber da notícia, mergulha em lágrimas e gritos – cena forte que simboliza um “mar de lágrimas”. Ao compartilhar com o pai sua angústia, a traição revelada, ambos se unem com um objetivo. Aos poucos irão amadurecendo como indivíduos e contribuindo para a integração familiar. Raiva, frustração, tristeza, amor e reconhecimento da parte idêntica a sua mãe que lhe constitui são etapas de crescimento. Sem esquecer do colega, que faz um contraponto, aparentando alienação, que no final das contas também encobre suas dores. O diálogo com Matt na madrugada se faz aprendizado sobre as diferentes formas de lidar com nossas crises de cada dia, além de ilustrar, de novo, que aparência não é tudo...
O filme encanta pela naturalidade de sentimentos e reações bastante humanas. Não há busca pelo que é correto ou não, pelo exemplo a ser seguido ou lição, há apenas a exposição de uma situação familiar em crise, que a transforma em oportunidade. Todos os sentimentos são explorados na trama, tristeza, raiva, vingança, ódio, amor, e, finalmente, o perdão. É no reconhecimento dos próprios erros, que descobrimos a humanidade de todos nós. Então, na cena que sintetiza todos os conflitos emocionais pelos quais passou, Matt se despede da esposa, momento ímpar no filme. No inicio, vimos a imagem de paraíso dos cartões postais sendo questionada. No final, somos presenteados com a simplicidade, a volta ao cotidiano da família, um momento de cumplicidade e união.
Um filme emocionante, envolvente, simplesmente delicioso, eu recomendo.
(...)Passa da dor da perda ao incômodo de ver tudo que acreditava ser uma mentira, como se estivesse sobrando dentro de uma camisa apertada depois de uma corrida tão característica ao personagem que todos no cinema vão ter a certeza de que era exatamente daquele modo que o personagem deveria correr em uma situação daquelas. (...) pela desenvoltura de discutir um assunto tão sensível como a morte e como ela pode inocentar as pessoas daquilo que fizeram em vida, já que o ciclo se fecha e sobra para quem fica achar um significado para tudo aquilo. Leia mais clicando aqui.
A cena em que ele aparece correndo de chinelo pelas ruas da sua vizinhança é a antítese da corrida tecnicamente perfeita de um Tom Cruise e por si só já valeria a indicação à estatueta dourada. (...) É na hora de pegar a filha mais nova na escola que o pai percebe que não existe na sua memória uma lembrança recente de ter feito isso em muito tempo. É ali no hospital, ao ver a mãe paralisada na cama do hospital, que a filha percebe o quanto é parecida com a mãe que ela se acostumou a destratar.(...) Fidelidade, dinheiro, paternidade, relacionamentos, sentimento de culpa, tudo isso é colocado em xeque de uma forma discreta, mas bastante eficaz. Continue lendo...
Matt não é um herói, nem um anti-herói. Apenas uma pessoa comum, imperfeita e que se vê em sua situação conflituosa, tendo que tomar decisões importantes para poder seguir seu caminho.. Leia mais...
Alguns conceitos impostos pelo roteiro, como a analogia entre a família e o arquipélago – onde a família é fragmentada entre várias ilhas, como um arquipélago -, fazem com que o espectador reflita um pouco sobre o verdadeiro sentido da família. A crítica completa, clique.
um mundo que repousa sobre um exte­rior muito bonito, mas que esconde maze­las e tris­te­zas como qual­quer outro lugar. Leia nais
Matt notabilizou-se por uma vida econômica nos gastos e afetos – (...) Payne conduz seu protagonista num labirinto emocional em que se vê desafiado a crescer. (...) o filme discute a fragilidade humana, especialmente a masculina, porque seu protagonista fica mais em evidência. Com os segredos e verdades desta família sendo enfrentados paulatinamente, comprova-se também a possibilidade de elaborar melodramas sem histeria, com mais verdade. Outro olhar, clique aqui
Os diálogos entre George Clooney e Shailene Woodley divertem e rendem grandes momentos ao retratar a cumplicidade entre pai e filha. o amigo da filha que também está passando por situações pessoais complicadas e mesmo assim está do lado da amiga dando força e ele é o responsável pelas as situações mais hilárias do filme. Critica, aqui
O filme é uma oportunidade para se emocionar com vicissitudes que afetam ou afetarão todos nós em algum momento. Na história perfeitamente orquestrada por Payne e Clooney, não ficam dúvidas de que a família, mesmo aos trancos e barrancos, é tudo que resta no final. continue lendo...
Este talvez seja outro grande ponto do filme: por mais que busquemos justificar o que acontece em nossas vidas, muitas vezes não encontramos a resposta, o que nos frustra e nos deixa zangados. importância de se preservar aquilo que nos é mais caro, aquilo que nos define como pessoa. Leia mais...
(...) a família é como um arquipélago: os membros fazem parte de um mesmo todo, mas individualmente, cada um é uma ilha isolada se afastando cada vez mais.(...) Através do ótimo ator, vemos que o personagem está meio perdido e assustado, com os ombros caídos e derrotados, a face espantada com as surpresas que lhe aparecem. Mas a despeito de tudo, ele permanece forte e enfrenta todos os infortúnios. Mais sobre...
SINOPSE
Com toques de comédia e drama, o filme conta a história de Matt King (George Clooney) um marido indiferente e pai de duas meninas, que é forçado a reexaminar seu passado e abraçar seu futuro depois que sua esposa sofre um acidente de barco. O trágico acontecimento acaba por aproximar Matt das filhas, que o ajuda na difícil decisão de vender um terreno herdado da família. Elizabeth (Patricia Hastie) sofreu um sério acidente de barco e entrou em coma. Desde então cabe a Matt cuidar das filhas Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), que estuda e vive em outra ilha do arquipélago. Quando é informado pelos médicos que sua esposa irá morrer em breve, Matt resolve trazer Alexandra de volta. Ele conta com a ajuda dela para contar a triste notícia aos amigos e familiares, de forma que eles possam se despedir de Elizabeth ainda em vida. Desbocada e de gênio difícil, Alexandra surpreende o pai ao contar que sua mãe o estava traindo. A notícia afeta profundamente Matt, que passa a querer saber quem era o amante de sua esposa e se ela o amava.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A chave de Sarah

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Conflitos sociais, afetivos,  familiares, segredos, guerra, identidade, auto suporte, história, holocausto.
Queria primeiro agradecer pela indicação de Selma Ciornai, valeu a muito a pena, é imperdível. O filme poderia ter o título “A chave do segredo”, sim, pois falamos daqueles segredos familiares, aqueles que fazem parte de nossa constituição e dos acontecimentos históricos que tentamos esquecer. Dois dramas estão entrelaçados na trama: O episódio histórico que ocorreu na França ocupada pelos nazistas em 1942 e o drama pessoal de Sarah, e seus desdobramentos. Os segredos da humanidade e os segredos familiares vão sendo desvendados no desenrolar do enredo. Além de uma aula histórica, “A chave de Sarah” também nos ensina sobre a influência dos segredos familiares, ainda que tenham ocorrido muito antes de nosso nascimento. Somos convidados a refletir sobre os aspectos de nossos antepassados que ainda insistem em nos habitar, repetindo sucessivos apelos à autonomia do ser, estimulando nossa capacidade de escolha. Discordo de alguns críticos, quando apontam a pequenez dos conflitos pessoais apresentados pela jornalista nos dias atuais. Atentem para a “coincidência” de sua pesquisa ocorrer exatamente no momento de gerar outro ser, seus conflitos familiares na decisão e seu envolvimento na trama familiar que fará parte da constituição deste novo ser. E não podemos perder de vista o compromisso afetivo que sustentou a sobrevivência de Sarah durante a guerra. O desdobramento marca sua existência, a posterior busca de sobrevida através do segredo é também o que não permite sua integração, uma incompletude que atormenta seus dias. Outro olhar sobre as feridas da guerra, que ainda nos assombram, provocam reflexões sobre as desrazões que promoveram e continuam promovendo conflitos tão desumanos. Um filme daqueles que podem dizer muito mais, pois nos convida a trocas sobre o coletivo e o individual, permitindo distintas percepções que enriquecem, afinal, “somos produtos de nossa história”.  Por tudo isso recomendo e os convido a compartilhar novos olhares.
Embora armado, notoriamente, para atrair o grande público e, por isso, acumulando detalhes sentimentais que o mantenham fisgado, "A Chave de Sarah" tem mais qualidades do que defeitos. Acontecendo simultaneamente em duas épocas e engajando novos personagens a cada momento, a narrativa é envolvente. Crítica completa, clique aqui.
SINOPSE
Julia é uma jornalista americana que vive em Paris há mais de 20 anos e é casada com o francês Bertrand. Escrevendo um artigo sobre a onda de prisões de judeus na cidade durante a 2ª Guerra, ela se depara com um segredo conectado à sua vida: tudo indica que o apartamento de seu marido pertencia à família de Sarah, uma menina judia que, junto com os pais, foi levada de casa pela polícia nazista.1942, durante a ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo.  a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas. Quanto mais a fundo Julia segue a história, mais descobre sobre o marido, a França e sobre si própria. Baseado no romande de Tatiana de Rosnay. Selecionado para o Festival de Toronto 2010.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Eu me chamo Elisabeth

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Rito de passagem, separação, abandono, solidão, depressão infantil, saúde mental.
É um filme delicado, que fala um pouco sobre solidão infantil e o rito de passagem da infância para a adolescência. Enquanto o casamento dos pais está em processo de dissolução, Elisabeth está em situação de isolamento. A mansão é muito grande e a falta de contato com outras pessoas, vai fazendo a menina sentir-se abandonada, chegando a apresentar sintomas de depressão. Sua carência fica evidente quando encontra no paciente psiquiátrico uma oportunidade de fazer amizade, se relacionar. Há que se observar muitos aspectos da vida moderna na trama. Gostaria de chamar a atenção para a situação de carência da criança, hoje tão comum nas famílias “modernas”. A importância das relações sociais para a construção de nossa identidade é notória. Quantos pais e mães deixam seus filhos, seja por necessidade ou negligência, em situações parecidas? Seja em casamentos em crise ou não, qual é o círculo de convício das crianças? Outro aspecto que me chamou a atenção foi o contato puro que fez com o paciente fugitivo.
Trabalhei um tempo com pacientes psiquiátricos graves, e percebi o quanto a falta de amor, carinho e atenção, os prejudica. A desospitalização, processo que rompeu com o tratamento desumano dos manicômios, não foi suficiente para reparar esse equívoco. A intolerância coma as diferenças ainda permanece em nossa sociedade, até mesmo no interior da família.  O funcionamento diferente do que consideramos “normal” se torna sempre algo a ser excluído, isolado ou pior, ignorado. Percebam que o rapaz, mesmo com problemas mentais, constrói um vínculo forte com a menina. A relação é elaborada aos poucos,  com carinho, cuidado e pureza. Não há qualquer pré-julgamento em Betty quando se aproxima do rapaz, que se transforma em seu porto seguro. Na escola, as relações são frustrantes, pouco confiáveis. A relação da criança com o paciente psiquiátrico vai sendo fortalecida, até o momento que é necessário tirá-lo da cabana, pois será transformada em sala de jogos. Ela o orienta, vence seus medos e o acompanha, dando-lhe instruções para viagem. Aos poucos, seu desamparo ressurge e a dor a impulsiona para buscar seu fim. E seu amigo reaparece e a resgata de um possível suicídio. Os conflitos familiares motivam a  fuga  com seu amigo. E, é também no final do filme, que o amigo a salva. O mesmo que é considerado suspeito de tê-la seqüestrado é quem, apesar de seu estado mental, tem a lucidez “emocional” suficiente para resgatá-la. A cena nos convida a refletir sobre a importância do carinho, cuidado, atenção nas relações em geral, independente das diferenças. Vale a pena conferir, é um filme tocante!
SINOPSE
Na trama, passada na década de 1940 no interior da França, uma garotinha assustada vive com seus pais e irmã numa mansão ao lado de uma clínica psiquiátrica. O pai é diretor do local e se vê às voltas com o sumiço de um dos pacientes, justamente enquanto luta para manter o casamento. Deixada praticamente sozinha durante o dia, apenas na companhia da babá deficiente mental, a pequena Betty (Bellugi) certo dia encontra o fugitivo escondido na cabana ao lado de casa - e passa a cuidar dele. A relação se torna seu segredo mais íntimo e a única coisa pela qual ela tem controle em meio às difíceis mudanças de sua vida. Clique aqui.
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A pele que habito

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Relações familiares e afetivas, sexualidade, saúde mental, luto, auto-suporte, identidade, controle, segredos.
Cada filme que aqui é postado segue uma rotina. Tento estar isenta de qualquer informação sobre a película antes de assistir, para que assim possa registrar a minha impressão. Depois, com muita calma, leio o que puder encontrar publicado sobre o filme, objetivando ampliar a reflexão, acrescentando muitas vezes as indicações de outros sites no meu post. Finalmente, construo o texto, tentando reunir o máximo de informações que possam abraçar a perspectiva psicológica. Por tudo isso, indico aos leitores que assistam ao filme antes de ler esse post.
Antes mesmo de assistir “A pele que habito”, já fui provocada pelo título deveras sugestivo. Em minha experiência clínica, encontrei muitos clientes sem a clara percepção dessa tal “pele que habitam”. É curioso como o próprio termo “habitar a pele” nos distancia daquilo que somos, afinal, a pele é parte de cada um de nós, portanto, sou também pele. Voltemos ao filme.
Cada uma das personagens tem um mundo a ser explorado, o que me pareceu uma das maiores riquezas do filme. O personagem vivido por Antonio Bandeiras é um aglomerado de conflitos existenciais. Podemos escolher a reflexão sobre sua dificuldade em fechar ciclos em sua vida. Não falo apenas do luto pelo falecimento da esposa, pois no desenrolar da trama percebemos que já era sabido que a mesma fugia com seu meio-irmão, evidenciando que esse grande amor já não era correspondido. A idealização desse amor tem a chance de ser perpetuada através da projeção, que é endereçada justamente àquele que foi responsável por mais uma perda em sua vida: o homem que violentou sua filha. Não é uma contradição, no mínimo curiosa? Amor/ódio unidos outra vez? Neste momento, acompanhei a viagem do personagem e fiquei me perguntando: como seria se os estupradores tivessem como punição essa troca de sexo? Como é estar no lugar daquele outro que machucamos? Aqui, como em muitos momentos, encontramos a marca de Pedro Almodóvar, infinitamente possível, sem amarras ou risco de estar esgotado em um único olhar.
Mas, voltemos ao filme. No lugar de “quase Deus”, utilizando de seu saber científico, nosso personagem tenta ser aquele que molda a identidade do outro. Sua patologia fica evidente e abre espaço para refletirmos sobre a herança familiar, incluindo a mãe biológica de dois indivíduos claramente perturbados, sem perder de vista a filha, a única realmente reconhecida e declarada doente. A trama tenta apontar uma possível relação causal, quando exibe passagens traumáticas na vida da criança. Mas, o que podemos entender sobre a mãe e seus segredos, sobre sua indiferença com um filho em contraste com a idolatria e conivência com o outro? Seria essa mãe equilibrada?
E quanto ao Vicent/Vera, o que nos provoca a condição/condução do personagem? Quando falo condição, me refiro àquilo que foi praticamente imposto, não oferecendo aparentemente qualquer alternativa. Refiro-me ao momento no qual Vicent passa de algoz à vítima da violência - (Almodóvar nos convida a refletir sobre esta troca, experimentar o lugar do outro). É no desenrolar da trama que podemos acompanhar a condução do personagem. Em outra fase, ele tenta desistir através do suicídio, de novo, sua escolha é roubada e é devolvido à condição que lhe era imposta. Interessante olhar para o momento que Vicent pára de lutar contra sua nova condição, passando então à condução, quando através do Yoga e da arte vislumbra o caminho de volta para si mesmo. Não é assim também em nossas vidas, quando somos convidados a exercitar a flexibilidade entre diferentes aspectos? Afinal, ora somos afetados ora afetamos, não é assim? Quantas vezes somos convidados a desistir de tudo, quando nos sentimos ameaçados por alguma imposição da vida? E não é aí que percebemos que dentro de nós é possível encontrar alternativa? Pois é, o filme realmente nos convida a refletir sobre vida, por mais louco que pareça. Mas é claro, os assuntos do filme não se esgotam aqui. Há muito mais a ser explorado. Por isso, convido você a assistir e compartilhar conosco suas reflexões. Uma obra deste quilate merece muitas trocas, compartilhe!
Dentre muitos olhares, gosto da observação de Dani Vital, que além de perceber o quanto o médico é controlador, diz mais
Existe pior prisão do que aquela sem muros? E quando o seu próprio corpo é uma prisão? A sua identidade é sua carga genética, seu corpo, sua alma, sua mente? Qual é sua verdadeira identidade?  Quando a governanta diz: “a loucura está no meu ventre, a culpa disso tudo é minha”  ela  expõe mais uma questão que corroi os personagens: Robert se culpa por não ter salvo a mulher e a filha, a governanta por gerar dois psicopatas, Vicent por estuprar Norma…  La Piel que Habito é como uma flor com suas diversas pétalas. A medida que vamos arrancando-as somos levados ao seu interior e vendo que aquela beleza inicial pode não ser bem o que de fato é belo. As camadas vão sendo ultrapassadas e nos deparamos com aquele miolo, vulnerável, nu, não tão atraente como no começo. A pele que você habita, diz quem você é ou lhe aprisiona?  Leia mais clicando aqui.
Baseado em uma história escrita por Thierry Jonquet, “A Pele que Habito” é um espetáculo narrativo que há um bom tempo Almodóvar não nos trazia (o que não exclui suas últimas obras, sempre ótimas). Aqui, ele constrói mais um mundo cheio de imprevisibilidades e coerente em seus argumentos. Com uma metáfora magnífica em seu título, além dos jogos de cena (como os canais de televisão que Vera tem acesso, que fazem uma representação do seu mundo de prisão e caça), a obra está pronta para ser aclamada pelos próximos anos por oferecer mais um trabalho de contação de histórias irretocável de Pedro Almodóvar e se estabelecer como uma de suas principais contribuições cinematográficas. Leia mais...
Assim como na vida real, em A Pele que Habito não existem vilões ou mocinhos – todas as personagens são movidas por motivações das mais diversas, muitas vezes inescrupulosas, outras patológicas, e na grande maioria das vezes, desconhecidas para as próprias personagens. E, assim como na vida real, o fim da história é apenas o começo – e o espectador se vê obrigado a sair do cinema com mais questionamentos do que entrou. Leia mais
A diferença entre os sexos; aceitação do corpo; identidade; transtornos de personalidade; e abuso de poder. Pela riqueza de discussões possíveis, o filme é um convite ao aprofundamento teórico. Para saber mais, clique aqui.
Como na maioria de seus filmes, A Pele que Habito então trata desse homem preso ao seu passado, um cirurgião plástico vivido por Antônio Banderas (vinte anos depois do fim da parceria com o cineasta emAta-me) que, esmagado pela dor da perda e movido pela sede de vingança, acaba ultrapassando qualquer limite ético, pessoal ou profissional. Leia mais...
Além disso, uma das grandes sacadas do filme é justamente a metáfora com a pele. No longa, a pele aparece como uma extensão da alma. Como se bastasse uma mudança externa, por maior que seja, para mudarmos completamente a nossa essência. E essa mudança é abordada por diferentes ângulos, seja por um acidente como a queimadura, por exemplo, ou por uma cirurgia estética. Saiba mais, clicando aqui.
O que permanece em nossa identidade Um outro olhar, clique aqui.
SINOPSE
Dr. Robert Ledgard é um renomado cirurgião plástico que está em uma incessante pesquisa. Uma pele mais resistente que possa ser implantada em seres humanos vítimas de queimaduras. Esta obsessão foi causada por conta da morte de sua esposa que após sofrer um acidente de carro, foi carbonizada. Ela sobreviveu um tempo, graças ao médico que implantou nela a pele trangênica mas não pôde conter o suicídio iminente.
Após perder a mulher e a filha de maneira trágica, Robert se isola em sua casa – que funciona como um centro cirúrgico – ele trabalha em suas pesquisas e continua operando os pacientes normalmente. Após apresentar sua pele trangênica, tem a pesquisa repudiada pela comunidade científica que não aceita o uso de material trangênico em seres humanos vivos ( Robert usa a pele humana aliada ao material genético de porcos). Isso não o impede de continuar pesquisando e testanto seu experimento em Vera, um Frankeinstein moderno.
Vera é uma misteriosa mulher que vive aprisionada em um dos cômodos da casa de Robert e serve como cobaia do doutor. Usando uma espécie de meia que lhe cobre o corpo na maior parte do tempo, ela usa a yoga para manter a mente ocupada e meditar. Vera não tem contato com ninguém além da governanta Marília que trabalha e mesmo assim apenas por meio de um pequeno elevador onde ela recebe tudo que é necessário: alimentos, roupas, maquiagem e afins.
Resenha completa, aqui.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Noiva em fuga

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ASSUNTO


Auto suporte, relações afetivas, familiares e sociais, gestalt-terapia.

SINOPSE

Maggie Carpenter (Julia Roberts) possui um grave problema: não consegue se casar. Já tentou por 3 vezes, mas na hora da cerimônia algo acontece e ela sempre foge do altar. Quando a história chega aos ouvidos de Ike Graham (Richard Gere), um jornalista machista da cidade grande, ele a publica em sua coluna e logo em seguida demitido por não ter confirmado a história antes. Decidido a recuperar o emprego, Ike parte para a cidade de Maggie a fim de provar que a história da noiva fujona verídica.

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O OLHAR DA PSICOLOGIA

Vi pela primeira vez por indicação de minha primeira professora de Gestalt-terapia: Eliane Farah. Éramos um grupo de gestalt-terapeutas em formação que se reuniam com a supervisora uma vez por semana para discutir os casos que estávamos atendendo. Um de nós atendia a uma cliente que tinha uma relação “misturada”, o que em gestalt-terapia chamamos de “confluência” e em psicanálise é conhecida como “simbiose”. Isto significa dizer que a cliente em atendimento funcionava muito fusionada com o parceiro, ou seja, pouco sabia de si. Em gestalt-terapia, privilegiamos qualquer ferramenta que possa ajudar ao cliente a “se dar conta” do seu funcionamento, em detrimento de uma informação. Nesse caso, por exemplo, sinalizar para a tal cliente que ela funcionava desta forma poderia gerar negação ou apenas uma informação a nível cognitivo, sem alcançar suas sensações ou ações de fato. Claro, isso também ajuda, mas qualquer ferramenta que faça a pessoa “se dar conta” de forma a “cair a ficha” sempre será mais eficaz. Por esse motivo, é a fita é uma ótima indicação para pessoas que perdem sua identidade na relação afetiva.
O filme não foi muito aclamado pela crítica, principalmente por ter sido comparado com “Uma linda mulher”, estrelado anteriormente pelos mesmos atores. Sendo considerado como apenas uma jogada de marketing para tentar repetir o sucesso do primeiro, o filme “Noiva em fuga” foi bastante preterido. Trata-se de uma comédia romântica que aparenta ser como todas as outras. Entretanto, é um prato cheio para a psicologia, tendo em vista que retrata um dos nós mais comumente encontrado nas relações amorosas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A garota ideal

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Relações familiares, afetivas e sociais, solidão, suporte, solidariedade, saúde mental.
Mais do que garota ideal, o filme nos apresenta uma “sociedade ideal”, onde a solidariedade impera. Muito interessante esse aspecto do filme, pois toda a comunidade participa efetivamente do tratamento de Lars, um homem que apresenta dificuldade nas relações. Ainda que seja solícito e educado, fica clara a sua dificuldade em se relacionar intimamente. No entanto, a trama revela aos poucos os traumas de sua infância, fazendo um paralelo entre a gravidez de sua cunhada e seu nascimento. O personagem faz de seu delírio um caminho para elaborar suas questões e caminhar para seu crescimento. Pesquisando na internet é possível encontrar olhares diversos e mais detalhados sobre os aspectos psicológicos do filme, apoiado nos mais diversos teóricos. Alguns consideram a boneca como um “objeto transacional”, semelhante à fralda, ao amigo imaginário ou ao boneco que a criança utiliza para lidar com a separação da mãe e o início de sua autonomia. Outros destacam a importância do suporte da família e da comunidade no processo de desenvolvimento do personagem. O fato é que seu delírio acaba sendo uma poderosa ferramenta para elaborar suas questões mais doloridas, permitindo o desenvolvimento de suas potencialidades. As questões familiares vão aos poucos sendo passadas a limpo, libertando também o irmão mais velho de seus fantasmas. Outro aspecto interessante é como o filme aborda a solidão e as diversas tentativas de elaborá-la. Observem que no trabalho, outros personagens se valem de objetos para lidar com a própria solidão. É um filme simpático, charmoso e leve. Concordo com Luiz Zanin, quando diz que o filme “ Soa como uma pequena fábula, que convida o público a distanciar-se da necessidade do realismo a qualquer preço”. Leia mais clicando aqui.
SINOPSE
Lars Lindstrom (Ryan Gosling) é um homem tímido e introvertido, que vive na garagem de seu irmão mais velho, Gus (Paul Schneider), e sua cunhada Karin (Emily Mortimer). Lars apenas acompanha o desenrolar de sua vida, sem se mexer para algo. Até que um dia ele encontra Bianca, uma missionária religiosa, através da internet. O problema é que para as pessoas Bianca não é alguém real, mas a réplica de uma mulher, feita de silicone. Só que Lars acredita piamente que ela é um ser humano, o que faz com que se torne seu apoio emocional. Preocupados, Gus e Karin decidem procurar o conselho de uma psicóloga, que recomenda que concordem com Lars enquanto ele lida com seus problemas pessoais.
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Um golpe do destino

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ASSUNTO
Empatia, psicologia hospitalar, auto-suporte, humanismo, ética médica, doença.
Assisti pela primeira vez, ainda na faculdade. Desde então, tenho procurado para rever e postar com minha apreensão do momento, visto que naquela ocasião já tinha marcado bastante. É realmente um filme magnífico que foca especificamente a relação médico-paciente. Mas, não deixa de apresentar uma visão bem delicada de todo tipo de relação. Para mim, particularmente, foi importante verificar a importância da psicologia hospitalar. Sim, pois ainda que o personagem em questão tenha a oportunidade de estar do outro lado e por isso rever seus conceitos e sua forma de se relacionar com o paciente, nem sempre isso é possível. No início do filme, somos pegos por um sentimento de revolta perante o comportamento desumano do médico com seus pacientes. Entretanto, um olhar neutro é capaz de também ver o lado do profissional que lida com a morte todo o tempo. Fica muito claro que a impessoalidade da maior parte desses profissionais nada mais é do que um mecanismo de defesa, para suportar o enfrentamento com perdas diariamente. Mas, então, como é possível dosar esse mecanismo de defesa de forma a não comprometer o atendimento à pessoa do cliente? É aí que encontramos a importância da psicologia hospitalar, que dentre outras funções, esta apta a prestar um caro serviço aos que circulam nos corredores hospitalares. Certamente, o filme nos provoca outras reflexões, seja sobre relações sociais, familiares, afetivas ou sobre vida e morte, duas certezas que rondam a humanidade. Importante perceber que o que o movimento de transformação do personagem começa após alcançar um olhar sobre si mesmo. E quem realmente dá uma lição de vida é a personagem que enfrenta a proximidade da própria morte, fantástico! E o que dizer sobre a doença em si? No filme é retratada a reação do indivíduo nos 4 estágios da doença: negação, revolta, depressão e enfrentamento.
Além da indicação para qualquer profissional de saúde, o filme é recomendado para todos, tendo em vista que a fita fala da humanidade de cada um de. Ainda que os assuntos abordados no filme sejam difíceis, eles são explorados de forma leve, tocante e bem humorada, inesquecível!
Leia mais clicando aqui.
SINOPSE
Um médico de sucesso, rico e arrogante. Até o dia em que descobre ter um câncer na garganta, o que o leva a uma reflexão profunda sobre sua vida. Como é a reação de um famoso cirurgião que por força do destino se vê na situação de paciente? Essa é uma experiência que certamente enriqueceria qualquer currículo médico. Para o doutor Jack McKee se traduz em uma lição de vida. O convívio com outros pacientes em igual condição o faz despertar para a importância do afeto e da compaixão, alterando radicalmente seu comportamento como médico.
Um filme elogiado pela crítica e que reúne novamente após o sucesso de Filhos do Silêncio, a diretora Randa Haines e o brilhante Willian Hurt.
Uma história emocionante que é retratada com doses exatas de sensibilidade e de bom humor.
O filme é centrado na vida de um renomado cirurgião, arrogante, egoísta e até mesmo indiferente aos seus pacientes, chegando a referir-se a eles como números, leito ou pela enfermidade que os acomete. Em sua vida pessoal percebe-se o afastamento criado entre ele e sua esposa, como também em relação ao seu filho, devido à falta de tempo e aos seus inúmeros compromissos.
Tudo isso começa a mudar depois que o doutor percebe que aquela tosse, ignorada a um certo tempo, começa a se agravar, chegando em certa ocasião a cuspir sangue. Quando se submete a exames específicos descobre, através de uma frase fria e direta, o que acometia sua garganta : “você tem câncer”.
A partir desse momento o médico, antes seguro de si e auto-suficiente, passa a demonstrar fragilidade e angústia diante de seu quadro. Agora ele não se via mais na condição de médico e sim de paciente, assim, sente o que é enfrentar a burocracia e a indiferença dos médicos, o que é esperar por horas o resultado de um exame, o que significa ser apenas mais um número. Ao passo que vai percebendo o quanto está sendo maltratado como paciente, vai mudando seu comportamento, inclusive com seus próprios pacientes. Percebe a importância de explicar-lhes o procedimento que está sendo adotado, a importância de chamá-los por seus nomes, de dar-lhes atenção; enfim, de tratá-los como pessoas. Uma cena que chama a atenção para isso é quando leva seus residentes a uma determinada ala do hospital e fala da importância de saber lidar com o paciente, afirma que para saber isso a melhor forma é se passar por paciente e sentir a angústia e o medo do mesmo, por isso avisa que a partir daquele momento os residentes seriam internados ali mesmo e passariam pelo procedimento padrão ao qual seus pacientes seriam submetidos. Leia mais clicando aqui.
PRIMEIRA CENA LEGENDADA, CLIQUE AQUI.

Por que eu me casei ?

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Relações afetivas, familiares, sociais e terapêutica, casal e família, auto-estima.
O filme aborda os nossos conflitos de todos os dias que ocorrem nas relações conjugais, mas também fala de auto-estima, de elaboração de sentimentos. Falamos aqui das muitas formas de relacionamento, ainda que o filme foque as relações conjugais. Psicóloga e professora universitária, a autora do livro “Por que eu me casei”, Patrícia reúne alguns casais todos os anos para discutirem suas relações conjugais. Dificuldades do casamento, falta de tempo, de diálogo, desconfianças, mágoas, segredos, perdas são alguns dos temas debatidos. Problemas comuns, como adultério e desrespeito recheiam essa comédia, que de forma leve espelha os acontecimentos mundanos da vida conjugal.
Com o filme eu pude compreender que as mudanças fazem parte da vida, principalmente da vida de um casal e que muitas vezes, pra dar certo, a mudança é inevitável e que o primeiro a ter que mudar é você! Que o diálogo é sempre o princípio de tudo no casamento, não é possível guardar segredos e guardar mágoas, e ressentimentos só afasta um do outro. E finalmente, se você não está satisfeito com a sua aparência, está na hora de mudar! E se um relacionamento termina é porque alguém não amou o suficiente. Leia mais clicando aqui
SINOPSE
2009 - O filme começa com a personagem de Janet Jackson, isso mesmo, a irmã de Michael, uma escritora famosa que trabalha com psicologia, dando uma palestra sobre seu último livro. Todo ano, ela, o marido e mais três casais amigos se reúnem num local para um fim de semana. Dessa vez o local escolhido é uma cabana-mansão nas montanhas frias de neve, lá Perry vai colocar todos eles se confrontando para colocar em pratos limpos suas relações. Desta vez, uma surpresa, a presença de uma linda jovem solteira cria situações inusitadas e hilárias, com a revelação de segredos que jamais devem ser revelados entre homem e mulher. É aí que vão ficar evidentes quais são as verdadeiras bases de uma relação duradoura. O objetivo da viagem é renovar os votos de casamento, só que desta vez uma estranha traz à tona segredos que não deveriam ser revelados.
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sábado, 7 de janeiro de 2012

Com amor... da idade da razão

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ASSUNTO
Relações familiares, afetivas, sociais, auto-percepção, filosofia, psicoterapia.
Não sei se eu estava cansada, mas o fato é que cochilei no começo do filme. Ainda pensando que não valeria a pena, fui despertada por uma cena corriqueira, e aí, não pisquei mais o olho. O filme é tudo de bom. O resgate de nossa criança nos é relembrado a cada instante. Sim, quantos de nós esquecemos a criança que ainda habita em nós? E ainda chamamos isso de “amadurecer”... Será? Nossa criança é aquela que sente, pouco explica, apenas nos lembra quem somos realmente. Pois bem, o filme é um convite à reflexão, vale à pena conferir!
SINOPSE
Sophie Marceau é Marguerite Flore, uma bem su­cedida empre­sária que, ao completar 40 anos, recebe uma carta de uma garota de sete anos. A mensagem, porém, foi escrita por ela mesma na infância e pediu que o tabelião da cidade onde vivia, na França, lhe entregasse em 2010. Isso porque ela queria ter certeza sobre o rumo que a sua vida tomaria e o que havia planejado, ainda pequena, para quando crescesse. Além de trabalhar feito doida e de ter o marido que não era aquele com que sonhava em casar, o espectador vai acompanhar as mudanças no seu comportamento, além da (falta de) relação com o irmão e o sobrinho. Assim, o desenvolvimento da personagem pode fa­zer, por exemplo, com que o espectador também acompanhe o rumo da sua própria vida e, portanto, fazer uma auto-avaliação. Afinal de contas, não é só na tela grande que a vida nem sempre toma o rumo que se pretende.
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Coisas que você pode dizer só de olhar para ela

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Solidão, relações afetivas. Sociais e familiares, aborto, preconceito.
Cinco histórias de mulheres irão, aos poucos, revelar sutilezas, sentimentos, anseios e decepções que permeiam a vida delas. São episódios sobre um grupo de mulheres e seus relacionamentos amorosos, seja com homens ou mesmo com outras mulheres A solidão feminina é o maior foco da fita, que explora com delicadeza as diversas formas de enfrentá-la. Todas as histórias se passam em Los Angeles. Todas têm mulheres nos papéis principais. E todas – cada uma à sua maneira – enfocam a solidão. Uma solidão doída, intensa, calada, com quase nenhum desabafo. Da mesma forma, a estética do filme é calada e introspectiva. A narrativa é lenta e contemplativa, mas jamais cansativa. Pelo contrário, os suaves movimentos de câmera, a trilha sonora envolvente, as marcantes interpretações de todo o elenco... Leia mais clicando aqui.
SINOPSE
Cinco vidas aparentemente desconexas se cruzam em San Francisco Valley: a Detetive Kathy Farber (Amy Brenneman) chega cena de um crime e descobre que o cadáver uma antiga amiga sua, Carmen; Elaine (Glenn Close) briga com a mãe enquanto espera por uma chamada telefônica; Rebecca (Holly Hunter) descobre que está grávida; Rose (Kathy Baker) desenvolve uma obsessão por seu novo vizinho; e Carol (Cameron Diaz), a irmã de Kathy, especula com o que poderia ter levado Carmen ao suicídio.
 

ASSISTA O TRAILER CLICANDO AQUI

Borderline, além dos limites

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Transtorno de personalidade borderline, relações afetivas, familiares e sociais, sexualidade.
Trata-se de um filme denso e polêmico. Não é um filme fácil de assistir, pois pode parecer que não tem coerência em seu desenvolvimento. Foi difícil acompanhar e em alguns momentos me pareceu que faltava algo ou fugia ao propósito de mostrar questões de uma pessoa com tal diagnóstico. As cenas de sexo apresentam a falta de limite da personagem. Quero deixar claro que para nós gestalt-terapeutas, o diagnóstico não fala sobre quem é o cliente, ele apenas nos auxilia como fio condutor, para que possamos ter noção de como é seu funcionamento no mundo. Devo esclarecer que dentro de um mesmo diagnóstico existe a particularidade de cada caso, que se apresenta com sua singularidade. Por todas estas razões, hesitei muito antes de decidir postá-lo, até me deparar com alguns sites que comentam o filme. Muitos destes comentários podem ser lidos clicando aqui - onde há identificação e discordância sobre alguns pontos do filme.  Clicando aqui é possível ler a impressão de um borderline. O filme é indicado para profissionais da saúde mental e pessoas interessadas no tema, que podem encontrar facilmente em sites como telona.
SINOPSE
2008 - A história de Kiki é mostrada em diferentes fases de sua vida. Com a mãe internada, ela é criada pela avó, que não se preocupa com ela. Seu refúgio é a escola. Sua vida antes dos 30 está bem longe de ser um conto de fadas. Ela se envolve com diversos homens, um após o outro. Sexo e álcool são suas únicas saídas e sua rotina. Mas aos 30 anos, Kiki enfrenta o maior de todos os desafios: aprender a amar a si mesma. Adaptação dos romances Borderline e La Brèche, da canadense Marie-Sissi Labrèche.
Resenha pode ser encontrada clicando aqui.
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Por que eu me casei também?

clip_image001[4]ASSUNTO

Relações afetivas, familiares, sociais e terapêutica, casal e família, auto-estima.

Dando continuidade ao primeiro filme, a fita explora algumas questões relacionadas ao casamento e suas dificuldades. Entretanto, agora é possível focar as questões pessoais da psicóloga, que está em crise depois da perda de um filho. Perceber que a profissional também tem suas questões é um adicional nesta comédia. Assim como o primeiro, o filme é indicado para casais e profissionais que atendam casais e famílias.

SINOPSE

Os quatro casais escolhem um novo destino para sua reunião anual: Bahamas. O objetivo, como sempre, renovar os votos do matrimônio, trocar experiências de vida enquanto aproveitam para discutir com humor seus respectivos relacionamentos. Mas as coisas complicam quando o ex marido Mike (Richard T. Jones) aparece na área disposto a reconquistar Sheila (Jill Scott), atualmente casada com Troy (Lamman Rucker). Está aceso o estopim de uma série de questionamentos que surgem também com os outros integrantes do grupo.

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