quarta-feira, 12 de abril de 2017

Os 13 Porquês – 13 Reasons Why

ASSUNTO

Depressão, bullying, estupro, assédio, violência, omissão, homofobia, sexualidade, suicídio, relações sociais, afetivas e familiares.

SINOPSE

Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

TRAILER


O OLHAR DA PSICOLOGIA

Febre do momento, “OS 13 Porquês” foi baseado no livro homônimo de Jay Asher. Provocando diferentes críticas, algumas favoráveis e muitas contrárias, a série está levantando o assunto em diferentes segmentos da sociedade. Há quem diga que pode se tornar um gatilho para aqueles que se encontram vulneráveis, outros tantos afirmam que os assuntos abordados na trama podem e devem ser discutidos. Indico abaixo links com diferentes opiniões. Por agora, prefiro destacar a importância de falarmos sobre o tema, ou, sobre os temas levantados. Aliás, acho que o aspecto mais positivo da proposta é, de fato, colocar os assuntos abordados em discussão, é o que está acontecendo. As polêmicas estimuladas por sua forma explícita ou pela fraqueza dos argumentos, cenas, etc., aqui não serão discutidos ou julgados. Queremos dividir algumas reflexões motivadas pelo contato com a série. A primeira coisa que chama a atenção foi o tom vingativo apresentado pelo projeto de Hanah, que dilui a responsabilidade entre os colegas (colegas??). Tudo bem, os relatos nos fazem pensar nas possíveis relações tóxicas que enfrentamos, não só na adolescência. Por esse prisma, pode servir como um alerta, um ponto de reflexão para aqueles que funcionam de determinada forma agressiva ou abusiva, sem se dar conta do quanto podem estar machucando o outro. Por outro lado, muitos suicídios cometidos por algum adolescente são por si só motivadores de culpa nos colegas, que se perguntam o que poderiam ter feito, ou deixado de fazer para evitar o desfecho trágico. Há também muito sofrimento para os que ficam, sem que seja necessária uma acusação gravada em fitas cassetes. Ok, a licença poética nos permite considerar a proposta como uma perspectiva possível, para dar voz a quem partiu e promover uma possível reflexão. Entretanto, é preciso refletir como o suicídio de um adolescente pode afetar seu entorno, causando sofrimento e dor aos familiares, amigos e colegas. Concordo com algo que li sobre o assunto, que afirma que o suicídio não é opção, muito menos para vingança.
As fitas são pano de fundo para os episódios que costuram os acontecimentos, de acordo com o que está sendo apontado em cada uma. Dentre os 13 envolvidos, encontraremos todos os tipos, alguns poderão ser vistos como vítimas da própria história, outros como adoecidos, mau caráter ou apenas adolescentes vulneráveis. Fato é que a costura da trama revela as possíveis perversidades de pequenos e impensáveis atos inconsequentes. A discussão supera o tema suicídio, pois além de bullying, omissões, mentiras, desilusões, e outros tantos abusos sofridos por Hanah, acompanharemos como outros são também vitimados por abusos, dos psicológicos aos físicos, da negligência, das famílias disfuncionais, do uso abusivo de drogas. É sabido que adolescer envolve vulnerabilidade. O momento conturbado pode tornar os riscos atraentes, a falta de suporte familiar ou profissional pode tornar o convite para aventuras um movimento fatal. O ponto principal da trama, assim parece, é abrir discussão, não só sobre o suicídio, mas sobre como as relações estão sendo construídas de forma tóxica, altamente prejudicial para a sociedade. Evitando spoilers, não aprofundaremos outros tantos temas apontados, entretanto, destacamos que há cena de estupro e do próprio suicídio, o que pode chocar bastante. Sem julgar a forma explícita na qual tais cenas foram apresentadas, é possível compreender seu desfecho como única forma de alertar o público, propondo abertura para o debate. A polêmica está em pauta, só por isso, vale! As diferentes críticas e respectivas justificativas podem ser lidas nos links abaixo:
Recomendação de Pablo Vilaça: Não assistir



Um comentário:

  1. Em família assistimos, refletimos e compreendemos que tudo tem um porque. E quando falamos em culpados, precisamos lembrar que um ser humano não é construído sozinho. Ele faz parte de um todo complexo. Seguindo este viés, o resultado final, querendo ou não, pertence a tudo o que este ser entendeu sobre este todo, (família, sociedade, escola, grupos) enfim, mas para mim o pior foi me deparar com a indiferença, ali, traduzida e materializada nesta série.
    É natural não aceitarmos a realidade!

    Mas nossos filhos precisam aprender a lidar com o mundo lá fora.

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