quinta-feira, 27 de julho de 2017

O mínimo para viver

ASSUNTO

Anorexia, distúrbios alimentares, família disfuncional, relações familiares, afetivas e sociais.

SINOPSE

Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.


TRAILER


O OLHAR DA PSICOLOGIA


Anorexia, entre outros distúrbios alimentares, é tema central do filme. Ellen, 20 anos, tem anorexia, uma doença que afeta também aos familiares.   Antes de tudo, vamos falar sobre transtornos alimentares, um mal que atinge parcela significativa da população. Os transtornos alimentares envolvem fatores biológicos, psicológicos, familiares, socioculturais, genéticos e de personalidade. A anorexia é um dos principais transtornos alimentares contemporâneos, no qual a pessoa vive o peso ou a forma do corpo de uma forma distorcida, se recusando a manter o peso corporal dentro do mínimo considerado adequado para sua idade e altura. Ellen acredita ter a situação sob controle, quando seu corpo revela o contrário, uma aparência esquelética e assustadora. A família, embora seja apresentada como disfuncional, está abalada, tentando ajudar da melhor forma possível, para cada um. Filha de pais separados, Ellen morou mais tempo com a mãe e sua namorada, mas foi enviada para a casa do pai, no momento em que a mãe não suportou mais lidar com a questão da anorexia. Apesar do pai ausente, assistimos o bom convívio com sua meia irmã e o esforço de sua madrasta em buscar ajuda para a enteada. Embora a família seja apontada como conflituosa e disfuncional, em nenhum momento são citados como responsáveis, nem é o foco da trama. Que, aliás, explora mais as questões do ponto de vista daqueles acometidos pelo transtorno. “Aqueles” são os outros personagens em tratamento, que embora sejam pano de fundo, também retratam suas angústias. O encontro com eles apresenta outras perspectivas do transtorno, seja pelos sintomas ou pela singularidade de cada personagem ao  lidar com o problema.
O filme nos convida a transitar entre mundos distintos, sem apontar soluções. Há maior aprofundamento nas questões da protagonista, sem deixar de pincelar outras formas de vivenciar o transtorno, incluindo a dificuldade de manter uma gravidez nessas condições. Limiar é o nome do lugar no qual os pacientes convivem, eles mesmos estão no limiar, talvez entre a vida e a morte. Lá é proibido falar sobre comida, há regras, pontuação para os que conseguem superar seus limites e tem um grupo terapêutico com uma psicóloga. Não há foco no trabalho terapêutico, apenas relatos durante parte de algumas sessões. Nenhuma perspectiva é central, a trama é costurada a partir da protagonista, revelando seus conflitos pessoais, sua dificuldade em lidar com o mundo. É possível perceber que não é só em relação ao alimento que ela tem bloqueio, parece que nas relações afetivas também ocorrem obstáculos impostos por ela. Podemos constatar sua tentativa em se manter distante afetivamente, privilegiando a lógica nas situações nas quais a emoção quer ter voz. O médico sinaliza sua preferência por uma falsa segurança, o que a impede de ter experiências, mesmo àquelas boas. Sua conduta profissional sempre destaca que estar vivo é a única razão para sentirem cada momento presente, mesmo que as coisas possam não fazer sentido. Ele lembra que coisas ruins vão acontecer, não é possível evitar, mas o que importa é como lidar com isso. Mesmo quando aparenta a família ter desistido dela, ele lembra que talvez seja necessário que ela chegue ao fundo do poço para perceber a si mesma e poder sair de onde está. As cenas seguintes podem ser consideradas excessivas, chocantes ou apelativas, entretanto, elas podem ser consideradas uma expressão criativa de seus conflitos mais primitivos. Além disso, a clara representação do “dar-se conta” dela oferece uma perspectiva interessante de refletirmos. Como é possível ajudar a alguém, que não tem noção real de sua forma, a enxergar a si mesma? O filme revela que é um processo difícil, requer ajuda profissional e muito suporte, seja familiar ou profissional. Não basta informar, dialogar, exigir, é preciso buscar ajuda, ter paciência, carinho, cuidado, e, respeitar o tempo de cada um. Independente da forma em que o assunto é abordado, a melhor mensagem do filme é que precisamos falar mais sobre o assunto, para que mais pessoas possam compreender a necessidade de buscar ajuda diante dos diferentes transtornos alimentares. 

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