sexta-feira, 9 de abril de 2010

A vida em Preto e Branco


ASSUNTO

Família, sexualidade, Colorir a vida através da permissão de sentir.

SINOPSE

Dois irmãos dos anos 1990 são sugados pela televisão e vão parar no mundo de um seriado de televisão dos anos 1950, onde os valores são muito diferentes. Aos poucos, as duas únicas pessoas "coloridas" daquele mundo vão enchendo o preto-e-branco com novas cores, aos mesmo tempo em que os problemas começam a acontecer.

TRAILER


O OLHAR DA PSICOLOGIA

Um mundo perfeito onde tudo é previsível, não há riscos, não há mudanças. Assim acontece em Pleasantville, um seriado em preto e branco dos anos 50 onde tudo é agradavelmente perfeito. David é um jovem solitário que foge da realidade assistindo ao seriado, já sua irmã Jennifer é bastante popular, sendo sexualmente bem ativa. Quando ambos brigam pela posse do controle remoto são transportados para dentro da fictícia cidade, e, se tornam personagens da série. A chegada dos  irmãos subverte a ordem estabelecida, revolucionando os valores daquele mundo "perfeito". As transformações começam a acontecer e gradativamente os personagens vão ganhando cor. Por um lado, o filme é uma crítica sutil aos valores impostos pela sociedade de consumo, que "vende" ideais de felicidade. O medo das mudanças, a facilidade de se acomodar às rotinas "mornas" e a necessidade de segurança em detrimento dos riscos, que são inerentes inerentes à vida, estão presentes no longa. Entretanto, a cidade passa a ser povoada por sentimentos e criatividade, o que faz com que a personagens ganhem cor.
A vida para ser vivida de fato precisa de contrastes, de diferenças, de sentimentos, de perdas e ganhos, de valores agregados pela própria experiência do ser. Reproduzir valores que não são próprios acabam por tornar a vida sem sal, sem cor, preta e branca, vazia: não há SENTIDO. A rotina automática da contemporaneidade pode causar um afastamento de escolhas próprias, há apenas repetições de modelos do que poderia ser a tal felicidade. A pressa nos toma o tempo de experimentar, refletir, sentir... Modelos do que é certo, do que pode e "deve" ser idealizado, do sonho perfeito vão substituindo a perspectiva pessoal de tal forma, que tornam as pessoas alienadas dos próprios desejos, sensações, sentimentos e sonhos. O medo é poderoso aliado da repetição, do isolamento, da falta de coragem de se permitir sentir. O medo de mudanças causa mais sofrimento do que as transformações que fazem parte de tudo que está vivo. Para aqueles que se afastam das próprias emoções, buscando uma vida segura e perfeita, o filme revela que a cor da vida está no mergulho dos sentimentos. Obviamente, não há fuga de emoções que de fato nos permita não sentir. O sentimento está lá, escondido em algum lugar, seja no corpo ou na mente, ele há de se manifestar. E aquilo que poderia ser sentido em sua plenitude, pode se transformar num vazio bastante dolorido, numa doença física ou psicológica. A abordagem Gestáltica prima pela experiência de "sentir" de cada um, há em seu processo terapêutico um foco na recuperação dos sentidos autênticos do ser, objetivando ampliar sua potencialidade, seu fluir natural. Portanto, podemos considerar o filme como ferramenta de auxílio ao processo terapêutico ou apenas um provocador de boas reflexões para o espectador. Vale a pena conferir!

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