
Totalidade, Gestalt-terapia, emoções, memória, depressão, apatia.
Atendendo em consultório particular em Copacabana e na Ilha do Governador, reflito sobre a influência dos filmes em minha trajetória, que foi atravessada pelo cinema em diversas fases. Ferramenta de auxílio para a compreensão de diversos conceitos, os filmes não só informam, mas são capazes de nos tocar, favorecendo assim, novas formas de lidar com nossas questões e conflitos. Compartilho, então, alguns desses filmes.
ASSUNTO
Relação terapêutica, relações afetivas, alucinações, culpa, medo, dor, suicídio.
SINOPSE
Sam Foster (Ewan McGregor) é um psicólogo que trabalha numa prestigiosa universidade americana. Certo dia um de seus jovens pacientes o procura para dizer que planeja cometer suicídio em breve. À medida que Sam estuda o caso, o rapaz começa a fazer estranhas e terríveis profecias que se realizam. Aterrorizado, Sam tenta ajudar seu paciente e impedir o suicídio de todas as maneiras, mas acaba se envolvendo numa misteriosa jornada da alma.
TRAILER (inglês)
O OLHAR DA PSICOLOGIA
De difícil compreensão, o filme só se explica no final. Até então, consideramos real tudo que se passa na tela. Os conflitos do Terapeuta e do cliente são apresentados como se assim ocorressem de fato. O que é verdade o que é alucinação? A relação terapêutica é apresentada de forma quase “misturada”, quando o terapeuta vive seus conflitos pessoais e os de seu cliente tal quais cartas embaralhadas. O que é real o que é imaginário? O que é do cliente, o que é de si? Assim questionamos durante a fita. Os resgates de cada um são o enredo vivido por Henry em seus últimos suspiros, A passagem fala exatamente desse momento: passagem: e todos os rostos que desfilam ao seu redor passam a fazer parte dele. Vítima de um acidente de carro fatal, para si, para a namorada e para os pais, Henry parece só um corpo, no chão, em meio a metal retorcido, fogo e barulho. As pessoas correm e o cercam, observam, oferecem ajuda. Ele ainda está vivo, mas, por apenas um instante. É nesse instante que ele fita vários olhares, ouve várias frases, sente o contato das pessoas. É o seu instante final, ele sabe disso. Mas, não se desespera. São estes olhares, frases e contatos que o farão reviver seus conflitos, os sentimentos que o dominam. Naquele instante, com aquelas pessoas, ele monta o enredo final de sua vida, tentando, de alguma forma, uma resolução para seus dilemas e sofrimentos. Nesse instante, só lhe vem a culpa. E é essa culpa que, num espaço de três dias (em seu tempo mental) ele vai viver intensamente, com todas as suas dores (depressão, abandono, medo, dor, suicídio). É nesse espaço de tempo mental que o filme se desenrola. Ele sabe que tudo agora é só um instante.
Indústria farmacêutica, efeitos colaterias de medicações psiquiátricas, psiquiatria, saúde mental, crise de ansiedade, depressão, relação terapêutica, manipulação, relações afetivas e sociais.
SINOPSE
A trama gira em torno da jovem Emily Hawkins (Rooney Mara), que acaba de ver o marido (Channing Tatum) ser libertado da prisão por um crime de colarinho branco. Mesmo aliviada, Emily tem crises de depressão e busca a ajuda de medicamentos prescritos para conter a ansiedade. Ela também busca amparo num tratamento psicológico, lidando com profissionais (Jude Law e Catherine Zeta-Jones). O tratamento, por mais que comece de forma positiva, vai gerar consequências inesperadas na vida da jovem.
TRAILER
O OLHAR DA PSICOLOGIA
Com o título original “Side Effects” – efeitos colaterais, o filme fala da transformação da felicidade em mercadoria de lucro, sobre a busca da felicidade através de medicamentos. Já na chamada, o trailer é finalizado com a imagem de diversos comprimidos e a seguinte frase: “TERAPIA DE RISCO, em alguns casos a morte pode ocorrer.” Em tempos de discussão sobre o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a discussão proposta na trama se encaixa perfeitamente. O DSM-5 vem sendo duramente criticado pela comunidade acadêmica e pelos profissionais de saúde mental do mundo todo. O novo manual traz em sua proposta a diminuição dos limites de diagnóstico e das categorias dos diagnósticos existentes, além de acrescentar novas categorias. A preocupação gira em torno de toda uma geração, que ao manifestar variações normais de comportamentos, que embora sejam considerados problemáticos, podem ser “categorizados” pelo DSM-5 como algum tipo de doença mental. Tal procedimento pode acarretar em prejuízo para toda uma vida, devido aos estigmas provocados pelos rótulos, além de indicar a prescrição de drogas psiquiátricas poderosas, que podem ter sérios efeitos colaterais. Rompendo as barreiras do Universo acadêmico e profissional, as propostas do DSM-5 devem ser discutidas por toda a sociedade, pois suas consequências podem afetar a saúde de pessoas. Trata-se de uma questão séria.